07 de julho de 2026
Geral

SALVAÇÃO DAS ESCOLAS

Rodolpho Pereira Lima
| Tempo de leitura: 3 min

A salvação das escolas está nas empresas. Este o título do artigo do jornalista e escritor cubano Carlos Alberto Montaner, no jornal O Estado de S. Paulo (27/5). Inicia o autor afirmando que a sociedade espanhola está escandalizada com suas escolas e universidades. Os jovens terminam o ensino médio sem saber quase nada. De História não conhecem nem sequer a da Espanha. A universidade também é falha. Pergunta: há cura para esses males? Parece que sim e o remédio vem das mãos do mundo empresarial, responde. Nos Estados Unidos, diz, está começando a funcionar, com notável sucesso, a companhia Edison Schools, de Nova York, que tem ações bem cotadas na bolsa e cuja função é vender instrução de boa qualidade a preços competitivos. Do mesmo modo que a Hilton e a Hollyday Inn organizam e administram hotéis, a Edison Schools organiza e administra escolas públicas ou particulares, desde o jardim de infância até o ensino médio.

Ressalta, sem aumentar despesas, com as mesmas verbas, antes gastas pelo governo, quando as escolas eram administradas pelo setor público, os recursos aplicados com maior eficiência, a empresa Edison Schools, mantém padrão de qualidade igual as boas escolas particulares, e, além disso, sobra dinheiro para distribuir a seus acionistas. Este projeto experimental, diz, iniciou em 1995 com uma escola piloto. Hoje, controla 113 públicas com 57 mil estudantes. Quanto ao ensino superior, menciona, conceituada como notável, a Universidade Peruana de Ciências Aplicadas, em Lima. A universidade (UPC) fundada há menos de uma década, administrada com critério empresarial privado, oferece benefícios aos acionistas mediante a venda de um serviço - educação superior -, num país onde muitas coisas funcionam mal, principalmente o ensino universitário público. O sucesso, afirma, está em ensinar o que a sociedade exige, com métodos pedagógicos acreditados, utilizados por professores que não têm o estupefaciente privilégio das cátedras vitalícias. Ainda, com as exigências das empresas sujeitas à concorrência: o professor que não rende o que dele se espera - ou o reitor, ou os decanos - é dispensado. Exatamente o que acontece aos estudantes repetentes ou aos agitadores. Os resultados satisfatórios dessas exigências, são: enquanto os diplomados de universidades públicas peruanas dificilmente encontram trabalho, 90% dos diplomados pela UPC são contratados imediatamente após a diplomação.

Conclui o autor que para superar o desastre educacional, é necessário empregar métodos de gerenciamento aprendidos no mercado, e é aconselhável separar o Estado da gestão direta dos centros de ensino. O assunto comporta reflexões e comentários: já passamos da fase que se discutia se deviam existir exclusivamente escolas públicas, ou deviam existir, também, escolas particulares. Vencido este conflito, e devido a este conflito a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, promulgada em 1961, permaneceu em discussão no Congresso Nacional 13 anos, de 1948 a 1961. Regredir, piorando, transformar instituição escolar em todos os seus níveis em empresa puramente comercial, com ações bem cotadas na bolsa, cujo objetivo é vender - educação, instrução - a preços competitivos com distribuição de dividendos aos acionistas, é capitalismo frio...

Uma sociedade democrática não pode aceitar tais exemplos como lição positiva, pacífica, para superar o desastre educacional. Educação é investimento para proporcionar progresso ao país, não para fornecer lucros a um grupo empresarial cujo objetivo é vender instrução, apenas. Como exemplo negativo na área da assistência médica invoco o artigo no JC (19/5/01) de autoria de José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Paulista de Medicina, sob o título Um basta ao desrespeito. Finalmente, é preciso ressaltar: o fundamental do ensino público é a sua função social, formação de homens críticos, livres, voltados para a defesa dos interesses coletivos a partir de condições sociais, políticas e econômicas, mesmo adversas. (Rodolpho Pereira Lima)