Através do jogador bauruense, o time da Ulbra, atual vice-campeão brasileiro, pode disputar o Paulista representando a cidade
Depois de consagrar-se como um dos melhores jogadores de vôlei do mundo, Max Pereira quer agora projetar Bauru como centro de excelência na modalidade.
Apesar de estar de contrato assinado com o Toyoda Gosei, do Japão, Max garante que vai disputar o Campeonato Paulista, que começa em julho. Melhor, pretende jogar por Bauru. Para que isso se torne realidade, o craque está concretizando um projeto que já vinha tentando realizar há alguns anos. Em entrevista ao Jornal da Cidade, na última sexta-feira, Max revelou que faltam apenas pequenos detalhes para que Bauru, finalmente, tenha um time de ponta no Campeonato Paulista.
"Estou negociando patrocínios em Bauru, com a rede de supermercados Confiança e a Tilibra. E se todas as verbas derem certo eu traria a Ulbra, que é bicampeã brasileira e disputou a final da Superliga este ano. Eles estariam dispostos a vir para Bauru e complementar meu grupo. Não que a Ulbra vai ser o time. Seria uma equipe com jogadores de Bauru e região mesclada com os jogadores da Ulbra", revelou Max. "E, claro, eu jogaria por este time, o que é mais importante para mim", completa.
Segundo explicou o atleta, a Ulbra bancaria os salários dos atletas de ponta do lenco e cederia a estrutura técnica da equipe. Em troca, Bauru teria apenas de bancar moradia e alimentação destes atletas, além de complementar o time. Max afirma que as negociações estão bem adiantadas, os possíveis patrocinadores receberam positivamente a proposta. Na sexta-feira, o jogador conversaria ainda com o prefeito Nílson Costa e o secretário de esportes José Roberto Franco para acertar detalhes oficiais. "Seria um ato impensado não falar com o poder público sobre este projeto", afirma.
"Eu acho que é um grande presente para a cidade. Não é nem questão se Bauru merece ou não. Eu me julgo no direito de fazer total esforço para trazer uma equipe equilibrada, bem estruturada, com nome, ou começar um projeto para ter tudo isto futuramente", comenta, dando a entender que o projeto não seria apenas uma aventura temporária, mas algo mais sólido, que possa dar frutos também no futuro. "Com nove anos de estrada internacional e por tudo que eu vivi e conheci, eu acho que devo doar isto para a população bauruense. Isso é tudo o que eu quero", afirma.
No entanto, nem tudo são flores para Max, que disputou a Superliga pelo Vasco/Três Corações e não recebe salários há seis meses. "O que mais me magoa nisto, é que em nenhum momento ninguém me ligou e perguntou se eu precisava de cem reais. Isto eu digo do Vasco e da CBV. A gente acaba se decepcionando com estas coisas". Para superar estes problemas Max mantém uma empresa de nutrição animal, a Nutrimax. Devido a esta situação, ele admite que foi obrigado a colocar sua carreira, principalmente em termos de seleção brasileira em segundo plano. O projeto Bauru/Ulbra se tornou prioridade no momento para o atleta, que após o Paulista, embarca para o Japão onde disputa o campeonato local pelo Toyoda Gosei, em janeiro, fevereiro e março. Depois disso retorna ao Brasil para a Superliga, talvez ainda por Bauru. Em seguida, Max dipsuta a Copa do Imperador pelo time japonês.
Max é o quarto brasileiro contratado por equipes japonesas para a próxima temporada. Além dele, Gilson, Nalbert e Anderson já haviam acertado com times do país do Sol Nascente. "É sempre uma experiência nova. O estilo de jogo deles é muito diferente. Por terem baixa estatura, os japoneses defendem mais e jogam mais rápido. Além disso vou ter à disposição uma excelente estrutura, que me dá muitas opções", finaliza.