Na próxima quinta-feira, a comunidade católica de todo o mundo celebra com festa e pompa o Dia de Corpus Christi
Atrás de toda a beleza que estará envolvendo a tradicional procissão de Corpus Christi nas cidades da região, na próxima quinta-feira, esconde-se um trabalho voluntário, conduzido por comunidades católicas, que visa atender as necessidades básicas de famílias carentes.
Em praticamente todas as cidades da região, onde haverá a montagem de tapetes ornamentais para a passagem da procissão, a ação social irá substituir os rituais litúrgicos no exato momento que o trajeto for concluído pelas autoridades eclesiásticas.
Os cobertores, agasalhos e calçados arrecadados por diversas campanhas inicialmente servirão para dar um toque artístico à procissão. Em seguida, serão embalados e receberão um destino mais nobre: aquecer famílias que normalmente não tem condições financeiras para se proteger adequadamente das noites mais frias.
Em algumas cidades, o material usado na montagem dos tapetes não tem outra finalidade senão serem lançados ao lixo. É o caso de São Manuel, onde os ornamentos serão compostos com o uso de bagaço de cana, vidro e granito moídos, gliter e anelina.
Serão dois quilômetros de pura arte. Praticamente não há diferença em relação ao que foi feito no ano passado, segundo informou a diretora de Cultura, Esportes e Turismo de São Manuel, Marisa Aparecida Amaral. Segundo ela, o que muda todos os anos são os desenhos.
No início, em 1948, as ruas da cidade eram enfeitadas com pó e palha de café e de arroz, tampinhas de garrafa, pó de serra e casca de ovo. Hoje, 53 anos depois, mudaram os ingredientes mas a fórmula é a mesma, e continua fazendo sucesso.
Serão usados quase 160 quilos de vidro moído, 600 sacos de granito, oito caminhões de bagaço de cana, 600 litros de álcool, 70 quilos de anelina em pó e 13 quilos de gliter. A anelina e o gliter serão usados para colorir os tapetes, juntamente com os sprays e verniz. Além da anelina em pó, será usada também a versão líquida do produto e até mesmo azulejos.
O bagaço de cana e o álcool foram doados por uma usina da cidade. Os vidros foram coletados entre a população e os gastos financeiros ficaram com a Prefeitura.
Marisa não soube informar a despesa que a Prefeitura terá com a festa, mas garantiu que o custo é alto.
Este ano, cerca de 400 pessoas irão se esforçar para preservar os tradicionais elogios que a festa recebe. Muitos começam a trabalhar no dia anterior, quando as ruas são riscadas e ficam à espera da arte final, que começa por volta das 5 horas da quinta-feira.
A procissão está prevista para começar as 15h30. Ela sairá do Santuário de Santa Terezinha e completa o trajeto, antes do anoitecer, na Igreja da Matriz, ambas no centro da cidade.
Vera Cruz
Em Vera Cruz, as ruas devem começar a ser riscadas a partir de amanhã. A montagem dos tapetes, assim como nas demais cidades, começam na madrugada de quinta-feira.
De acordo com a professora Lúcia Celina Anastácio, da Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Turismo, toda a comunidade católica local está, direta ou indiretamente, envolvida com os preparativos desse evento turístico, que representa a procissão de Vera Cruz. Além das pastorais da igreja, devem participar alunos das três escolas estaduais da cidade, do Colégio Técnico, e de vários outros setores da sociedade.
Serão oito quadras revestidas artisticamente com tapetes formados com pó xadrez, cal, tampinhas de garrafas, areia e maravalha (uma espécie de pó de serra). Dois produtos tradicionalmente usados nessas ocasiões não serão incluídos este ano, por razões distintas. O bagaço de cana ficou de fora porque as usinas estão usando o produto para gerar energia, em época de crise. Por isso, há uma dificuldade natural em dispor do material, este ano. Por outro lado, a comissão organizadora resolveu excluir o pneu triturado, por questões ambientais. Ele foi substituído pela maravalha.
A procissão em Vera Cruz deve começar as 16 horas. O ponto inicial e final será a Igreja do Sagrado Coração de Jesus. O trajeto, de aproximadamente uma hora, deve culminar com a realização da missa de Corpus Christi, a ser celebrada pelo padre José Soares de Sousa. O tema da procissão deste ano é o mesmo da Campanha da Fraternidade: Vida Sim Drogas Não.
Macatuba
A falta de recursos financeiros forçou a paróquia de Santo Antônio, em Macatuba, a realizar uma procissão mais simples, em comparação com a de anos anteriores.
Letícia Pasetti Garcia, coordenadora geral da procissão, informou que o trabalho deste ano será mais artesanal. A decoração terá um custo mais baixo, porque nas edições anteriores teria se gastado muito dinheiro.
Este ano, os tapetes serão formados por tecidos nas cores vermelha e branca e apoiados por agasalhos, cobertores e calçados doados, os quais serão abençoados pelo padre José Raimundo, enquanto ele caminha pelo tapete, segundo Letícia. A campanha do agasalho está sendo conduzida pelos integrantes das 18 pastorais da igreja, os quais serão responsáveis também pela entrega das peças arrecadadas.
A procissão deve começar às 16 horas, em frente à agência do Bradesco, e terminar depois de 45 minutos, aproximadamente, em frente à Igreja de Santo Antônio. Serão nove quadras ao todo.
Piratininga
De todas as procissões da região, Piratininga deve realizar a maior, em extensão. Serão 24 quadras, com saída, às 16 horas, da Igreja Santa Maria de Piratininga (Matriz). O trajeto, a exemplo de anos anteriores, será encerrado em frente à Santa Casa.
A missa, assim como em Lençóis Paulista, está programada para uma hora antes da procissão.
A coordenação geral da procissão de Corpus Christi, em Piratininga, está a cargo do grupo de vicentinos e irmãos do santíssimo. De três anos para cá, eles também decidiram enfeitar as ruas com agasalhos doados pela comunidade. Além de cobertores e roupas, eles também arrecadam alimentos. A entrega desses produtos é feita pela pastoral social, pastoral da saúde, vicentinos e legião de Marias, os quais visitam as famílias para saber até que ponto elas necessitam de auxílio da igreja.
Os tapetes que são estendidos pelas ruas de Piratininga, além dos agasalhos, são complementados com detalhes feitos com flores, e que servem para dar a eles um tom mais natural. O tema da procissão é diferente dos demais. Ele não segue nenhuma outra campanha. Apenas busca enaltecer a caridade entre as pessoas e uni-la à devoção, própria dos cristãos.