- Não te desesperes, pai - consolou-o a moça. É só seguires minhas instruções e tudo acabará bem.
E no dia seguinte, instruído pela filha, o pai voltou ao palácio, levando um pacotinho ao califa.
- O que é isso? quis saber o califa.
- Ó, poderoso senhor! exclamou o velho. Isto é fubá. Minha filha pede-vos para plantá-lo, pois assim conseguirá milho suficiente para alimentar os galos e galinhas que terá que criar.
- Estás louco? vociferou o califa. Como imaginas que possa nascer algo de um milho já triturado?
- Da mesma forma, retorquiu o pai, que quereis que nasçam pintinhos de ovos já cozidos.
O califa engoliu em seco, porém reconheceu que a moça era mesmo esperta.
- Está bem, disse ele. Desta vez, ela ganhou. Mas ainda terá muito que fazer antes de convencer-me. Toma este dedal e leva-o para tua filha. Com ele, ela deverá medir toda a água que existe no mar que banha nosso reino. E lembra-te: ai de ti, se ela não o conseguir!
O velho se retirou, mais apreensivo do que na véspera.
No dia seguinte, entretanto, novamente instruído pela filha, voltou ao califa, desta vez com um pequeno pedaço de cortiça:
- Ó senhor clemente, disse ele. Minha filha diz que não será difícil medir quantos dedais de água tem vosso mar. Antes, porém, pede-vos que, com essa cortiça, tampeis as águas de todos os rios e riachos do reino, impedindo-as assim de escoarem para o oceano e comprometerem toda a sua tarefa!
O califa, pego de surpresa pela resposta, não teve o que discutir. Pensou, pensou, e finalmente entregou ao velho um punhadinho de algodão.
- Pois bem, esta será a última prova. Diga à tua filha que ordeno que teça, com este algodão, uma vela para meu novo navio que está sendo construído lá no porto. E não preciso repetir o que será de ti se ela não o conseguir!
Continua no próximo domingo
Rosane L. P. Pamplona. Ela recordou um conto da tradição sufi, que está sendo publicado em várias edições. Confira a segunda parte. É muito interessante!