Comemorando os resultados dos controladores de velocidade, em operação há um ano, a Emdurb já estuda a instalação em outros cinco pontos da cidade. Nações Unidas deve ganhar mais uma lombada.
O efeito das lombadas eletrônicas no que diz respeito à segurança dos pedestres bauruenses agradou de tal forma que a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) já pensa em instalá-las em outros pontos. Apesar das críticas dos motoristas, que muito reclamaram das pesadas multas aplicadas aos infratores, a Polícia Militar de Trânsito é categórica em afirmar que os controladores de velocidade (lombada e radar) contribuíram decisivamente com a redução dos acidentes na avenida Nações Unidas, que costumava registrar graves colisões e atropelamentos fatais.
A Nações, tida por muitos como o mais bonito cartão de visita da cidade, não foi projetada para a travessia de pedestres - tem pontos curvos, é larga e de tráfego rápido -, embora o fluxo de transeuntes seja constante em quase toda sua extensão. A instalação de semáforos na altura da Cohab e quadras abaixo serviu como um interruptor de altas velocidades, que se consolidou com a implantação da lombada eletrônica, em funcionamento desde maio do ano passado.
Do ponto onde está a lombada até a avenida Rodrigues Alves, no entanto, são poucos os motoristas que respeitam o limite de velocidade de 60 KM/h indicado. Veículos a 100, 120 KM/h podem ser flagrados a qualquer instante e, invariavalmente, reduzem as chances dos pedestres realizarem a travessia com segurança. Muita gente se arrisca e alguns acabam colhidos. Este ano, duas pessoas foram atropeladas entre as quadras 14 e 16, metros abaixo do supermercado Paulistão. O pessoal só respeita perto da lombada, abusando em todo o resto da avenida. Em razão disso, estamos estudando a possibilidade de instalar mais uma lombada na Nações (justamente onde os atropelamentos ocorreram), além de um radar fixo, adiantou Nélson José Lira, diretor do Departamento de Sistema Viário da Emdurb, acrescentando na seqüência outros prováveis pontos candidatos ao controlador: avenidas Marcos de Paula Rafael (Mary Dota), Lúcio Luciano (Redentor), Getúlio Vargas e Alberto Paulovick (entre o Bauru I e Mary Dota).
Enquanto a proposta não se concretiza - a idéia é licitar os novos sistemas em 2002 -, a Emdurb pretende intensificar a fiscalização na Nações por meio do radar móvel. O equipamento está atendendo a periferia no momento, mas deve passar mais tempo na espinha dorsal do tráfego local.
Na opinião de Lira, a lombada e o radar fixo seriam o mais adequado para erradicar de vez os abusados velocímetros que passam pela Nações. Alternativas como semáforo para pedestres e passarelas estão descartadas. O primeiro não se justificaria por conta do pouco fluxo concentrado de transeuntes (muitos atravessam, mas esparsadamente), enquanto o segundo pouco seria utilizado, a exemplo das passarelas construídas sobre as rodovias locais.
Outro fator de segurança para os pedestres citado por Lira diz respeito às condições do calçamento nas vias urbanas. Uma calçada sem obstáculos e em perfeitas condições garante a locomoção segura, disse. As palavras de Lira vêm a calhar dias após um senhor de idade avançada ter caído numa boca-de-lobo destampada - o acidente aconteceu na rua Virgílio Malta, na última quarta-feira.
População negligencia semáforo
Acho interessante ter o semáforo, mas o pessoal não respeita. Eu tento respeitar. Não, eu respeito. Não, acho que nem tanto, porque se não vier carro eu passo mesmo com o sinal fechado, Tatiana Galazo, estudante, 22 anos
Não vejo necessidade nesse sinal. Se tivesse uma movimentação muito grande, até concordaria, mas acho desnecessário para Bauru. Gostaria de aproveitar o espaço para criticar a sincronia dos sinais para carros. Ou todos estão abertos, ou todos estão fechados. É horrível, Reinaldo Wellington Costa, autônomo, 57 anos.
Eu aprovei o equipamento, mas as pessoas e motoristas ainda se atrapalham na Rodrigues Alves, principalmente quando é gente de fora. Acabam avançando na hora errada porque não estão acostumados. Eu costumo olhar, mas, para ser sincero, nem sempre respeito. Se dá para atravessar, eu vou adiante. Agora, quando estou ao volante, respeito sempre, Devanir Rodrigues, açougueiro, 30 anos.
Achei uma boa idéia esse semáforo para pedestre. Eu gostei, porque às vezes é muito difícil atravessar o Calçadão. Na Rodrigues também foi bom, só que já tive vários problemas. Tem hora que o sinal apaga, fica louco, confunde a gente, que não sabe se vai ou se fica, Elis Oliveira, estudante, 23 anos.
Eu respeito, mas o problema é que a maioria não respeita. Mesmo com o sinal fechado, as pessoas avançam e param os carros na marra, ou seja, acaba não funcionando como deveria, Sandra Pinheiro Venturini, do lar, 21 anos.
Educação no trânsito
Numa parceria com a Unesp, a Polícia Militar de Trânsito desenvolve cinco projetos educativos direcionados a pessoas de todas as idades, incluindo crianças e profissionais do volante. Os resultados não podem ser diretamente medidos, mas acabam se refletindo nas estatísticas anuais e no comportamento dos participantes ao longo do tempo.
O programa de educação nas escolas, por exemplo, busca promover o desenvolvimento da criança em relação ao trânsito, visando sempre o respeito à legislação, seja como pedestre do presente ou motorista do futuro. Contendo 16 lições para aplicação em um semestre - em 2000 atendeu quatro escolas da rede municipal de ensino -, o curso é ministrado por policiais militares e monitores da Emdurb. As aulas são oferecidas aos alunos da 3ª. série do ensino fundamental.
Já o programa de direção defensiva tem a finalidade de oferecer uma nova consciência aos condutores bauruenses, buscando a mudança de comportamento através da prática da filosofia de direção defensiva, ou seja, não importa quem foi o culpado pelo acidente, mas quem fez tudo para evitá-lo.
O curso conta com a participação da Polícia Militar, Emdurb e Universidade do Sagrado Coração (USC). Durante o ano 2000, aproximadamente 100 condutores freqüentaram as aulas. Este ano, a idéia é trabalhar com as empresas que prestam serviços de transporte público na cidade e com os mototaxistas cadastrados pela Emdurb.
O terceiro projeto, denominado Cidade Mirim, vem sendo desenvolvido há vários anos com o objetivo de orientar crianças com idades entre 6 e 10 anos, repassando noções básicas sobre comportamento correto na via pública, em especial no tocante à condução das bicicletas. Esse programa conta com o apoio da Emdurb, Sesi e Secretaria da Cultura, que constantemente auxiliam na manutenção dos materiais necessários para sua realização.
Outro interessante projeto é o teatro de fantoches, criado especialmente para atender alunos de pré-escola, inseridos na faixa etária de um a seis anos. Através da fantasia dos bonecos de pano, a idéia é transmitir comportamentos básicos no trânsito, visando, principalmente, a redução dos`acidentes.
Direcionado ao público adulto, o projeto de palestras em empresas e escolas busca proporcionar informações e reflexões sobre as questões do trânsito, tendo em vista a educação para a cidadania e o aprimoramento da qualidade de vida da comunidade, além da diminuição de acidentes envolvendo funcionários e veículos das empresas.
O programa em questão vem sendo realizado há vários anos e tem um caráter mais informativo do que propriamente de formação. A equipe da Polícia de Trânsito atende a partir de solicitações e ministra temas diversos, que incluem desde regras de circulação e direção defensiva até dúvidas sobre o Código de Trânsito Brasileiro. O projeto já atendeu um público estimado de 10.000 pessoas.