11 de julho de 2026
Geral

Promotoria denuncia dois por um homicídio ocorrido no Pq. Jaraguá

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Dois policiais militares de Bauru estão sendo denunciados pelo homicídio de José Wesley Ferreira Rodrigues, 21 anos, ocorrido em julho do ano passado, no Parque Jaraguá, e devem ir a júri. Rodrigues morreu durante troca de tiros com os policiais Vivekananda Bento Gonçalves Galisa Júnior e Eduardo Bento Lopes Martins, que estavam à paisana (sem o uniforme da PM).

O promotor Paulo Sérgio Foganholi entendeu que os policiais agiram de forma inadequada, pois a abordagem teria sido precipitada e despreparada e fez a denúncia. O processo está em fase de instrução na 1.ª Vara Criminal, presidida pelo juiz Benedito Antônio Okuno.

A troca de tiros ocorreu quando os policiais, que estavam em um carro comum, sem caracterização da PM, levantando informações sobre crimes no bairro, depararam-se com Rodrigues andando pela rua com um revólver nas mãos. Os policiais, segundo foi apurado, abordaram o rapaz, se identificaram e ordenaram que ele parasse.

No entanto, Rodrigues não teria obedecido e efetuado um disparo em direção aos policiais, acertando a viatura. Em revide, um dos policiais atirou e Rodrigues fez um segundo disparo, acertando, desta vez, um dos policiais, que caiu. O outro policial, então, teria efetuado mais dois disparos que acertaram Rodrigues.

O rapaz chegou a ser socorrido, mas morreu. Na época, a família de Rodrigues questionou a ação dos policiais, argumentando que o rapaz não tinha passagens pela polícia e que o último disparo ocorreu quando ele já estava no chão. A ação dos policiais foi investigada por dois procedimentos: um da Polícia Civil e outro da própria Polícia Militar.

O Inquérito Policial Militar, que serviu como base para o promotor oferecer a denúncia, concluiu que há indícios de crime na ação dos policiais no caso. Para Foganholi, os policiais, ao depararem-se com o rapaz armado na rua, deveriam ter se posicionado de forma a garantir a segurança de ambas as partes, para depois fazer a abordagem, usando, por exemplo, a própria viatura como escudo, e não assumir posição de confronto.

O tenente-coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), disse que respeita a opinião do promotor sobre os fatos, mas ressaltou que os policiais estão preparados para fazer a abordagem, que obedece a técnicas específicas, pois fizeram a academia e passam por instrução.

Ressaltando que o promotor, em seu pronunciamento para o juiz não entrou no mérito do crime, mas sim da técnica da abordagem, Eclair lembra que Rodrigues atirou primeiro e que um dos policiais foi atingido no peito e só não foi ferido gravemente porque usava colete à prova de bala. O tenente-coronel frisou que os policiais do serviço reservado são orientados a não fazer abordagens, exceto em situações de crime.

A avaliação policial, de acordo com Eclair, foi de que Rodrigues precisava ser abordado de imediato porque, pelo fato de estar ostentando uma arma e não ter obedecido os policiais, poderia colocar em risco outras pessoas. O tenente-coronel ressalta que, em casos dessa natureza, é dever legal do policial agir, mesmo estando executando serviço reservado.

Se condenados por homicídio doloso, como foram denunciados, os policiais poderão pegar de seis a 20 anos de prisão. Os dois policiais continuam exercendo suas atividades normalmente, após serem atendidos e avaliados por psicólogos da Unesp de Assis, que tem convênio com a Polícia Militar para atender os policiais que se envolvem em crimes.