08 de julho de 2026
Geral

Guerra à sonegação

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Sem todos os recursos financeiros de que necessita, garimpando moedas no fundo do baú para emergências, e, por isso, ameaçando atrasar até mesmo o pagamento dos servidores, o Governo Federal está tirando de suas aperturas uma das lições que a realidade fiscal nunca esconde dos executivos, como seja, uma vigilância pertinaz contra a sonegação de tributos. A equipe econômica chegou, finalmente, ao cerne do problema resultante do desequilíbrio reinante entre a receita e a despesa, como se tudo isso não estivesse evidente, até porque existe praticamente desde que inventaram governos. E, descobrindo a causa da sua pobreza, decidiu jogar-se para cima dos sonegadores, a fim de forçá-los a inserir-se nos seus deveres sociais, econômicos e comunitários, entrando com sua legítima parte quanto ao financiamento dos serviços públicos de responsabilidade dos órgãos governamentais.

Não vai ser fácil a batalha que a administração federal, bem como as estaduais e municipais, decidiu travar para eliminar ou mesmo reduzir a sonegação. O retrospecto mostra o quanto fracassaram seus antecessores em iniciativas semelhantes, já que articularam medidas até extravagantes para tomar dinheiro dos que não queriam pagar e bem pouco conseguiram, motivando zombarias dos artistas da sonegação, vitoriosos diante dos desafios da máquina arrecadadora. Se tantos desistiram da contenda, ensarrilando as armas em pouco tempo, será que a equipe fernandista será melhor que eles e conseguiria aquilo que nunca foi obtido, que seria uma arrecadação tributária justa e numericamente honesta? Esta a interrogação que estão fazendo os contribuintes que sempre pautaram por manter-se dentro dos parâmetros tributários legais, sem esconder nada do que devem ao Governo.

Que as medidas esboçadas pelos poderes públicos venham então a aperfeiçoar as que já existem no que couber, a fim de que suas disposições possam dar os resultados que os governos esperam nas respectivas áreas, forçando ao recuo os sonegadores em geral, principalmente os maiores, que se locupletam amplamente, fugindo ao pagamento de parcelas reais de todos os tipos de tributos e, conseqüentemente, forçando a cúpula governamental a faltar com seus compromissos perante sua gama de legítimos credores, entre os quais o funcionalismo que movimenta a sua máquina. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.