Se tivesse de definir criatividade, usaria poucas palavras. Diria que é a arte de pensar de maneira diferente para encontrar caminhos inesperados. A escultura está escondida bem lá dentro da pedra. Ela é caprichosa, e só se revela se o candidato a artista acreditar. E crendo assim, aventurar-se rocha adentro, tirando os excessos e fazendo a obra, enfim, aparecer.
Embora esperada, a idéia original sempre aparece quando menos esperamos. E mesmo sabendo que ela vem, não a recebemos sem um certo gosto de surpresa e espanto. Remendo novo em tecido velho não dá certo, desde os tempos de Jesus. Se a mente não estiver preparada para recebê-la, não vai suportar o incômodo da novidade. Em casa, na empresa ou na escola, gerar resultados pode depender somente de saber usar a criatividade.
Pense, primeiro, em você - não é pecado, senão contra a eficiência. Busque o conforto físico e mental. Prefira as roupas e calçados que não apertem. Consuma alimentos saudáveis - não por acaso, o aparecimento de uma idéia brilhante requer algum consumo de energia. Abasteça-se através de uma alimentação calculada. Assim você vai dispor de resistência na medida certa para o desafio que enfrentará. Particularmente, acredito muito na força que os símbolos têm em nossa vida. Como as roupas, por exemplo. Elas informam o nosso inconsciente e os olhos dos outros sobre o que estamos fazendo. E podem ser um sinal eficaz de que agora você está envolvido com algo muito especial, um projeto exigente que não permite que o tempo e a atenção sejam divididos sob qualquer hipótese.
Antes de seguir em frente, desfaça-se de alguns mitos que giram em torno da inspiração, pintada como sendo um momento mágico e gratuito em que anjos dourados transmitem idéias brilhantes a quem sabe ficar sem fazer nada. O pensamento do velho Thomas Edson alertando para o fato de que um bom trabalho é feito de apenas 1% de inspiração, ficando os outros 99% por conta da transpiração, já foi muito utilizado para este fim. Mas continua sendo o melhor antídoto contra este mito paralisante.
A esse propósito, o escritor William Faulkner insiste no valor da experiência, da observação e da imaginação para quem deseja entregar-se à arte de escrever. Indignado com essa conversa mole, ele diz que nada sabe a respeito de inspiração, sequer sabe o que é - já ouviu falar sobre ela, mas nunca a viu.
Portanto, acredite em você e não espere por milagres. Abasteça sua mente e tome cuidado para não enferrujar. Treine sempre. Tome algumas decisões, e seja disciplinado para cumpri-las: seja seletivo, faça anotações e esboços, leia biografias, leia livros que ensinem a fazer coisas, seja o que for, leia revistas de variedades, leia ficção e não-ficção, pense muito. Deixe a mente aberta para o novo. Assim, quando menos esperar, uma grande idéia vai aparecer.
(*) O autor, Rubens Marchioni, é especialista em Propaganda pela ESPM, professor de Comunicação e consultor de empresas.