Penumbra. Gelado. Muito frio. A coberta se ergue e alguém com mãos descobertas toca em minha pele. Chega a dar calafrios. Sinto como se ua navalha estivesse recortando minhas entranhas. Mal posso gesticular em minha defesa. Porém, com certeza absoluta, uma agulha penetra em minhas carnes e um líquido é introduzido em meu corpo. Continuo gelado. Com alguma dificuldade vislumbro uma silhueta feminina, toda de branco, segurando alguns aparelhos, que, em tom mavioso, sussurra algo que mal posso decifrar - Calma, meu querido, já lhe apliquei um sedativo intramuscular e, já, já você estará bem melhor.De repente tenho a impressão de ter acordado. Percebo que sou um paciente internado num quarto de hospital. Corro os olhos no ambiente, descubro uma cadeira que mais parece um catre, onde os acompanhantes tiram uma soneca. O quarto está escuro. Ainda é muito frio. A consciência volta e daí descubro a dificuldade de trabalho de uma enfermeira. Não se tem um pingo de água norma para esquentar as mãos. É tudo frio. No entanto, esse anjo de branco a tudo atende. Não há horário. É tosse. É vômito, é troca de roupa do paciente que está à mercê daquelas mãos frias, mas ágeis, meigas e carinhosas no atendimento. Quantas e quantas vidas foram poupadas por essas mãos?! E é por isso que digo - Obrigado meu anjo branco. Não é hora de os hospitais, clínicas, Stas. Casas, entidades ligadas a essas áreas, se unirem em torno do melhoramento de trabalho desses profissionais? Sei que é redundância chamá-las de Anjo Branco, mas pelo que fazem, merecem esse pleonasmo: Anjo de Branco. (Elpidio Cristino Lima - RG. 3.214.189)