08 de julho de 2026
Geral

Reação popular preocupa Sinergia

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Revoltada com plano de racionamento de energia, população estaria culpando e agredindo funcionários da CPFL

O Sinergia-CUT está preocupado com a reação que parte da população estaria tendo, transferindo para os funcionários da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) a responsabilidade pelo racionamento de energia, chegando a realizar agressões. Jesus Garcia, diretor do Sindicato, afirma que, até agora, ocorreram casos isolados, mas que podem piorar se o racionamento for aprofundado.

Para Garcia, a questão é que, apesar de ainda não haver cortes pelo racionamento, muitas pessoas estão irritadas com a situação do País e acabam se revoltando com as ações da Paulista no dia-a-dia, como cortes e prazos para religações e acabam descarregando em cima dos funcionários, principalmente os eletricistas que têm mais contato com o público.

Segundo a entidade, na semana passada, um empregado da CPFL quase foi agredido em Marília quando fazia a religação de uma residência. O trabalhador escapou, mas o carro da Companhia teria tido o pára-brisas quebrado com uma tábua de carne. Em Campinas, um outro funcionário teria sido agredido por um consumidor.

O Sinergia-CUT quer que a empresa faça um plano de emergência para prevenir as possíveis reações do público em relação aos seus empregados. Além disso, pretende protocolar no Ministério do Trabalho um documento que solicita que o eletricista tenha o direito de recusa, ou seja, dizer que não fará determinado serviço, se a situação for de risco.

Garcia pede para que a população tenha a consciência de que o eletricista da CPFL não é responsável pelo racionamento e, por isso, não há motivo para que sejam maltratados. O trabalhador não tem culpa, não há porque agredi-lo, afirmou.

Esclarecimentos

O gerente regional da CPFL, Wilson Maldonado Júnior, afirmou que os consumidores têm abordado os eletricistas da empresa em busca de mais esclarecimentos sobre o racionamento e para aprender a fazer leitura dos relógios de medição de energia.

Para ele, o caso da agressão de Marília foi um caso isolado e que era apenas um corte de rotina por falta de pagamento de conta. Segundo ele, a Companhia não detectou um aumento da agressividade dos consumidores em relação a seus empregados.

A assessoria de imprensa da CPFL informou que a empresa vem buscando treinar seus funcionários para que contornem as situações que surgirem durante o trabalho. Solicitada a dar mais informações sobre o assunto, simplesmente enviou uma nota que no conteúdo constava que vem orientando os seus empregados para agir com respeito ao cliente em qualquer que seja a situação.

Acordo fechado

O diretor do Sinergia-CUT, Jesus Garcia, confirmou que o acordo da data-base entre a categoria e a CPFL está fechado. No campo econômico, quem ganha até R$ 1,4 mil terá um reajuste de 6%. O sindicalista disse que essa parte da proposta atinge 69% dos trabalhadores da empresa.

Para quem ganha mais de R$ 1,4 mil, será concedido um reajuste de R$ 84,00 fixos. Isso vai proporcionar índices inferiores.

Além disso, a CPFL se propôs a conceder um abono de 10% para todos os empregados, no mês de setembro. Os benefícios que os empregados têm direito serão corrigidos em 4,3%.

O acordo coletivo de trabalho, que garante estabilidade no emprego e vencia no ano que vem, foi prorrogado até 2003, o que é considerada uma grande vitória para os trabalhadores.