08 de julho de 2026
Geral

Restaurante servirá comida a R$ 2,00

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Criado em 1999, em plena recessão industrial, o projeto Alimente-se bem com R$ 1,00 chega a Bauru este mês, em caráter experimental. Se bem aceito, a partir de outubro, o bauruense poderá usufruir de refeições nutrivas e de baixo custo

A partir de outubro, o bauruense passará a desfrutar de um restaurante popular que promete alimentação altamente nutritiva ao preço único de R$ 2,00. A novidade é um desdobramento do projeto Alimente-se bem com R$ 1,00, desenvolvido há dois anos pela equipe de nutricionistas do Serviço Social da Indústria (Sesi) de São Paulo.

O funcionamento permanente do restaurante dependerá dos resultados de uma experiência que começa no próximo dia 25. Durante 90 dias, cerca de 200 pessoas, entre funcionários do Sesi local e comunidade vizinha à entidade, farão refeições para testar os pratos alternativos que o programa oferece. Nesse período, o cardápio poderá sofrer alterações para atender as características alimentares do público bauruense. Temos um cardápio fixo, que pode passar por adaptações conforme os hábitos de cada cidade. Nada, porém, que mexa na sua premissa básica de alimentação alternativa, explicou Tereza Watanabe, coordenadora do projeto e diretora da Divisão de Alimentos do Sesi de São Paulo. Se os pratos forem bem aceitos, o restaurante passará a atender a população em geral, que poderá comer à vontade pelo preço de R$ 2,00. Na Vila Leopoldina, na Capital, e em Sorocaba, a receptividade do público foi ótima e os restaurantes estão funcionando a todo o vapor.

Tereza Watanabe contou que o projeto Alimente-se bem com R$ 1,00 surgiu em 1999, quando a indústria brasileira passava por uma de suas piores recessões. Elaboramos algo que pudesse ajudar naquele momento, porque muita gente estava desempregada e sem condições de manter o básico dentro de casa. Foi aí que a nossa equipe de nutricionistas começou a testar pratos com valores nutricionais e calóricos possíveis de serem preparados com R$ 1,00. A experiência, felizmente, foi muito bem sucedida, comemora a coordenadora. No período em que elaborava os cardápios, a equipe de nutricionistas levou em conta alguns dados sobre o hábito alimentar do brasileiro. Alguns deles negativos, como o que indica que 62% da população consomem baixíssima quantidade de fibras, presentes, fundamentalmente, nas verduras, legumes e frutas. Incluímos esses alimentos, utilizando-os de uma forma integral, ou seja, o nosso cardápio tem receitas alternativas que se valem de partes geralmente descartadas no âmbito doméstico, esclareceu.

O projeto do Sesi, no entanto, não objetiva somente oferecer pratos prontos, mas orientar e repassar informações sobre como preparar refeições nutritivas e econômicas. Para Tereza Watanabe, o povo brasileiro vive ao redor de uma riqueza de alimentos, mas desconhece as formas de aproveitá-los ao máximo. A falta de conhecimento, segundo ela, é o grande entrave para novas descobertas. A proposta do restaurante é, acima de tudo, reeducar o paladar da população, fazer com que as pessoas aceitem formas diferentes de se preparar um prato, enfim, ensinar todos a se alimentarem corretamente gastando pouco dinheiro. A partir do momento em que se aprende a valorizar integralmente os alimentos, a feira da semana pode cair pela metade. E que ninguém pense que está comendo uma refeição de pobre, mas sim uma refeição inteligente, enfatizou.