11 de julho de 2026
Geral

CENTRO CULTURAL CARLOS FERNANDES DE PAIVA (MESTRE CIRILO) - TEATRO MUNICIPAL CELINA LOURDES ALVES NEVES

Carlos Alberto Alves Neves
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Que bela homenagem feita a duas pessoas que se dedicaram à cultura bauruense. sr. Carlos Fernandes de Paiva, usava o pseudônimo Mestre Cirilo, no Diário de Bauru, e também Charles Ferdinandi, no Correio da Noroeste, na década de 60. Homem culto, de uma inteligência notável, exímio marcador de quadrilha, dança típica da época junina, sempre colaborava com a profa. Celina nas apresentações que ela promovia. Maçom convicto, sempre um estudioso das artes, musicista, pois tocava violino no conjunto Seresteiros de Euterpe, procurava de todas as formas trazer para Bauru o tão sonhado Teatro Municipal, pois amava as artes cênicas, sendo em sua juventude um ator amador de grande destaque. Em sua residência, na rua Agenor Meira, numa área logo na entrada da casa, sr. João Rios, homem ligado à Secretaria da Cultura do Estado da época, procurava alguém, em Bauru, para ser ligação do Governo Estadual com nossa cidade.

Surge então a profa. Celina Lourdes Alves Neves, diretora da Escola Progresso, onde tinha um grupo folclórico junto com o sr. João de Abreu e um grupo de teatro o qual designara homenagear Gil Vicente, escritora colaboradora dos jornais de Bauru com o pseudônimo O fantasminha e que sendo uma lutadora pela cultura, assume a bandeira do teatro, e durante mais da metade da sua existência batalhou para que Bauru tivesse um teatro a altura de nossa gente. Não se conformava em ver outras cidades com um teatro municipal e Bauru não possuir o seu. Dada a aceitação da profa. Celina, o sr. Nagib Elchmer, presidente da Comissão Estadual de Teatro ( CET), (1963) do Estado de São Paulo, do então governador Ademar Pereira de Barros, promoveu em Bauru o 1.º Festival de Teatro Amador, na Sociedade Dante Alighieri, gentilmente cedida pelo sr. Ricardo Landi, batalhador do teatro pelo Sesi de Bauru. O movimento nascia para que Bauru fizesse parte da popularização do teatro no quadro cultural do Estado e futuramente pleiteasse uma verba para a construção do tão sonhado Teatro Municipal, por volta de 1963. Anos e anos a profa. Celina participou de encontros, seminários, festivais, reuniões, congressos, enfim onde se falasse de teatro amador lá estava a tia Celina, como era conhecida no Interior entre os amadores de teatro, sempre representando Bauru, quando ía a São Paulo na CET (Comissão Estadual de Teatro), teve oportunidade de conhecer atores como: Paulo Autran, Sebastião Campos, Juca de Oliveira, Maria De La Costa, entre tantos outros.

Fundou a Febata (Federação Bauruense de Teatro Amador) e através dela, participou de inúmeros festivais, recebendo prêmios pelo reconhecimento do seu trabalho. Lançou vários artistas que eram pedras brutas a serem lapidadas e que a profa. Celina sabia fazer tão bem. Sua casa (no quintal) e as salas de aula da Escola de Datilografia Progresso eram os seus locais de ensaios e criações que depois seriam levados aos palcos do interior paulista, pois sempre sonhava em que Bauru tivesse o seu teatro... Dentre os amadores do teatro, conheceu Carlos Pinto, batalhador incansável pelo teatro amador, jornalista, residente em Santos e que até hoje desenvolve trabalho ligado a cultura, pessoa que mantinha contatos telefônicos e a mantinha informada de todo o movimento existente no Estado sobre o Teatro Amador, amante das artes, teve sua amizade perpetuada até o final de seus dias.

A profa. Celina sempre idealizou que o teatro fosse construído na Praça Portugal, pois achava ela que ali deveria surgir não só o teatro, mas um Centro Cultural, com todas as artes: teatro, balé, biblioteca, cine-clube, exposições de artes, congressos, cursos, enfim tudo que fosse ligado a cultura. Era sua filosofia a de que fazer teatro era uma forma de educar, ensinar, conhecer novos autores, pesquisar sobre a época que seria feita a peça teatral, enfim cultura pura e nunca para aparecer tão somente como ator ou atriz. Envolvida com o cotidiano escrevia a sua coluna neste jornal Bom dia, Bauru!, e expunha de uma forma clara e direta seus pensamentos. Fundou a Academia Bauruense de Letras, tendo sido a sua 1ª presidente, mantinha as Noites de Poesia tendo ao seu lado o prof. Antonio João Fraga Padilha que sendo um conhecedor da literatura portuguesa contribuía em muito para o desenvolvimento dos estudos dos livros que ela tanto amava. Às 5ªs feiras à tarde, promovia o encontro com os seresteiros, onde ela podia ouvir e participar das canções do cancioneiro popular. Numa coletânea, lançou seu único livro, Retratos da Vida, pela Edusc. E estava com todo o material pronto para a edição de um 2.º livro, pois ela mesmo, sem poder se locomover, pensava sempre em produzir mais e mais. Inaugurado o Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva, deixou-a alegre e realizada, pois via um reconhecimento a uma pessoa que tanto batalhou pela cultura e que não tinha sido reconhecido até a presente data. Impossibilitada de locomover-se não chegou a ver o prédio onde se localiza o Teatro.

A família Alves Neves vem agradecer a todos os vereadores, prefeito Nilson Costa e aos amigos que temos encontrado e que nos têm enviado palavras de carinho e gratidão, achando que esta homenagem foi justa e merecida, pela designação do nome de nossa mãe ao Teatro Municipal de Bauru, o que nos honrou. E creio que lá de cima ela estará aplaudindo e agradecendo a homenagem, pois ela que tanto lutou pela cultura, vê hoje o seu nome nesse templo de cultura bauruense. (Prof. Carlos Alberto Alves Neves - RG: 4.513.066)