Através dos registros positivos e negativos existentes no inconsciente, é possível até curar doenças, diz psicóloga
A psicóloga Gisela Renate Jost Moraes que é autora do método Abordagem Direta do Inconsciente/Terapia de Inconsciente Pessoal (ADI/TIP) e membro do Comitê da Universidade de São Paulo, esteve em Bauru para participar do II Seminário de Ética na Pesquisa, realizado pela Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru.
Gisela ministrou a palestra O inconsciente e a clonagem, onde abordou os temas com base nos estudos realizados por ela durante sua trajetória profissional.
A psicóloga explicou que através dos registros positivos e negativos existentes no inconsciente de cada pessoa é possível curar doenças. Para fazer isso, ela coloca a pessoa em estado de relaxamento leve e faz perguntas, onde a própria pessoa vai descobrir qual é o seu problema. Gisela explicou que o paciente consegue se ver no momento da concepção e antes da fecundação, quando os pais se unem e, de acordo com ela, é aí que ela se vê a partir do eu pessoal que surge um pouco antes em função do que vai se formar depois da união do óvulo e do espermatozóide.
Quando o paciente chega nesse estágio, a terapeuta explicou que vai orientando com perguntas para ele ver os registros positivos ou negativos. Quanto ao que está lá, ela disse que não tem como orientar porque ela não sabe. Isso é o próprio paciente quem deve enxergar. O processo é ir afunilando até chegar no ponto importante da questão que é onde o paciente formula as frases dos registros positivos ou negativos.
Gisela disse que, em geral, as pessoas saem da terapia muito alegres e com um brilho diferente no olhar e, segundo ela, alguns dividem a vida em antes e depois da terapia. Leia abaixo a entrevista com a psicóloga Gisela Renate Jost Moraes.
Jornal da Cidade - Como se realiza a terapia através do inconsciente?Gisela - Partimos de uma experiência de 45 mil paciente tratados com a abordagem direta do inconsciente que é um método questionável. É um método onde se faz perguntas e que o próprio paciente faz o seu diagnóstico e sua terapia. Quando a gente questiona a pessoa, ela vai entrando para além do nível psicológico, numa interioridade profunda e isso é importante em relação à clonagem. Todos os nossos problemas são programados na fase do útero materno. Nós não somos vítimas. Fazemos uma programação em dimensão humanística, interioridade profunda, onde fazemos registros que são acatados pelo cérebro e jogados no organismo.
JC - Como a senhora poderia explicar as doenças que a medicina ainda não consegue curar?Gisela - Por que não se cura o câncer, por exemplo? Porque o câncer é tratado pela medicina na área física, com quimioterapia, radioterapia, retirada de tumor, mas a fonte retroalimentadora, que seria a torneira, continua aberta. Na interioridade a pessoa já se programou para isso. O câncer está ligado com a frase: Eu não devo existir. A pessoa não queria existir quando estava no útero, então, quando na vida acontecem momentos que acionam isso, o câncer pode aparecer.
JC - Esse estudo está ligado à Medicina Quântica, não está?Gisela - Isso tem fundamentação na física quântica, na nova física. Realmente, se pode fundamentar muita coisa, mas não tudo, porque essa dimensão humanística, esse eu pessoal, ainda é uma dimensão diferente do que a energia cósmica. Quer dizer, é uma dimensão diferente de tudo o que se falou até hoje. Aquele eu seu, o meu, de todo o ser humano que está na interioridade do homem, até agora, não havia sido visto por nenhum desses campos.
JC - Como se dá a terapia? É uma regressão?Gisela - Não. Não é uma regressão, eu sou contra a regressão porque nela é o terapeuta que faz, vem de fora. Na regressão você hipnotiza, você diminui a consciência e aumenta o inconsciente, sugerindo o inconsciente. Na minha terapia não. Eu não sugiro nada. Não há sugestão, não há indução, eu apenas levo a pessoa a um ligeiro relaxamento e faço perguntas. Ela que vai descobrir o diagnóstico e a terapêutico. Esse diagnóstico não é feito por fatores externos. É feito pela própria pessoa que começa a estudar o fato e focalizar de uma outra forma.
JC - Essa técnica pode ser utilizada com qualquer pessoa?Gisela - Com criança fazemos diferente, ativamos somente os registros positivos do inconsciente porque a criança vive muito intensamente o inconsciente muito ativamente. Então se você tocar numa ferida do útero materno para uma criança, ela vive como se fosse agora. Por exemplo, uma criança que foi rejeitada no útero materno, guarda esse registro e ela mesmo se rejeita, dificulta a vida dela. A terapia, nesse caso, trabalha com contrários, ou seja, qual a idade contrária àquela que a criança viveu esse trauma. Nós podemos trabalhar também com terapias indiretas, através da mãe. É como se a mãe fosse a criança, ela fala pela criança, mas conscientemente.
JC - Nesse caso, a terapia só funciona para mãe biológica?Gisela - Não. Funciona também com a mãe adotiva. Qualquer pessoa, no fundo, pode fazer terapia indireta, se a pessoa não pode. Teve um caso, que a criança estava em estado de coma com distrofia muscular e leucemia. A mãe fez apenas uma sessão de um pouco mais de uma hora. Nessa sessão descobrimos a causa que eram as discussões da mulher com o marido e a mulher disse: eu sou culpada e vou resolver isso. Só dela dizer isso já atingiu a criança e, no mesmo dia, os médicos já estavam tirando os tubos da criança.
JC - Como se explica isso?Gisela - A criança fez um registro de morrer em função das brigas dos pais. Não existe limite no inconsciente nem de tempo, nem de espaço e nem de matéria. É imediato. O nível do inconsciente profundo não existe limite. Nós estamos todos entrelaçados.
JC - Existe terapia que não deu certo? Uma tentativa frustrada?Gisela - O número de insucessos é de apenas 8% a 10%. São pessoas que são resistentes, não se abrem à terapia. A qualidade da terapia depende da forma como a pessoa reage. Ela própria é quem se cura, não é a terapeuta.
JC - E a clonagem, onde entra na terapia?Gisela - A clonagem reprodutiva seria reproduzir o ser humano. Eu acredito que a clonagem tenha uma função muito importante em termos de cultivar órgãos e outras coisas, mas se é para sacrificar um embrião ou se é para reproduzir seres humanos, é inaceitável por vários motivos, inclusive porque a criança vem de uma célula adulta ligado com uma célula com óvulo, mas sem núcleo. Então não são células germinais, é uma semente diferente. Uma vez que é uma semente diferente, provavelmente não tem também o eu pessoal, essa dimensão humanística que está prevista para outras condições. Ela não teria a experiência de se ver na concepção de tomar as primeira decisões. Mesmo a inteligência dessa pessoa, porque a inteligência humana é ligada a intuição e é ampliada pela intuição e por parte da sabedoria que se encontra na área intuitiva do homem. Veja como é perigoso: o clonado teria a inteligência cerebral do ser humano, mas uma inteligência não ligada a intuição e à parte da sabedoria. Sem discernimento do bem e do mal. Uma inteligência maior que a do animal, mas sem ligação com bem e mal é perigosíssimo. Então ele pode até ser fisicamente parecido, mas será um monstro porque será um outro ser, nem animal, nem ser humano. A inteligência seria como a do ser humano em termos cerebrais, mas que não tem nenhum critério valorativo, sem distinção de bem e mal, tanto faz uma criança ou um adulto, matar ou não alguém...
JC - E isso não tem como ser mudado através de convivência, educação, criação?Gisela - Não, ele não aceita mudanças porque a mudança verdadeira é feita através de eu pessoal, interioridade do ser humano que ele não tem, ou se tiver, eu estou supondo, é distorcido, não é o mesmo que o nosso. Toda a estrutura de saúde e doença nossa tanto psicológica quanto física, quanto humanística, quanto espiritual, depende do amor ou desamor. No útero materno, é onde está a fase mais importante da criança porque nessa fase há uma força incrível sobre o psiquismo, sobre o organismo, inclusive de se auto-abortar. A mensagem que deixo é que as pessoas dêem mais valor à sua vida conjugal. A criança procura a união entre pai e mãe, ela quer ser fruto desse amor e a vida conjugal não é uma questão de sorte ou azar, se constrói. Quando um casal se une para vida inteira, é porque ele já passou pelo teste que se diz na hora da igreja - na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza...- já passou, inconscientemente, por esse teste. Então esse casal se ama, se enfrenta o casamento é porque se ama e os problemas que surgem na vida conjugal está assentado sobre o relacionamento e não sobre o desamor, então não se justifica a separação porque se ele se separar, vai fazer o mesmo problema com outro parceiro, então tem que resolver o problema.
JC - Mas por que, muitas vezes, o segundo ou até terceiro casamento dá certo e o primeiro não?Gisela - Porque a pessoa já esfriou, ela já não vive mais a intimidade, já não se abre mais, fica mais fechada, tem mais cuidado. Não é que o relacionamento realmente seja melhor, mas sim que tem uma aparência melhor porque as pessoas se controlam mais. Na terapia é possível resolver os problemas conjugais, procurando ver o que está interferindo no matrimônio através do inconsciente. Descobrindo o que é, se trata disso. O problema sempre tem a ver com o pai ou com a mãe, nunca de um com o outro. Se o casal quiser ter filhos sadios que não tenham problemas, tem que se unir e é possível se unir. Essa é a minha mensagem.