10 de julho de 2026
Geral

Protesto pára Rondon por 15 minutos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores do núcleo habitacional Gasparini e dos jardins TV e Marília reivindicam construção imediata de passarela

Cerca de 200 pessoas interromperam por 15 minutos, ontem, o tráfego de veículos na pista Interior-Capital da rodovia Marechal Rondon, na altura do km 347. O ato foi a maneira encontrada pelos moradores do núcleo habitacional Gasparini e dos jardins TV e Marília para reivindicar a instalação imediata de uma passarela de pedestres sobre as pistas da Rondon, interligando os bairros.

Cerca de 15 mil pessoas moram na região cortada pela rodovia, que registra um tráfego diário de 30 mil veículos, segundo dados da Polícia Rodoviária. De 1º de janeiro deste ano até ontem, sete pessoas morreram vítimas de atropelamento nesse trecho da rodovia.

Munidos de cartazes e faixas com frases reivindicatórias, os moradores decidiram paralisar o tráfego da Rondon para chamar a atenção das autoridades governamentais, que prometem, há dois anos, resolver o problema. Até agora nada foi feito. O ato começou por volta das 9 horas e se prolongou até às 9h15.

Toda a movimentação foi acompanhada de perto por 15 policiais rodoviários, apoiados por dez viaturas, que se encarregaram de orientar os motoristas e dar segurança aos manifestantes. Segundo o presidente da Associação de Moradores do Núcleo Gasparini, Antonio Geraldo Dangio Filho, conhecido como Carteiro, a morte por atropelamento na Rondon de uma moradora de Avaí, registrada há duas semanas, foi a gota dágua que esgotou a paciência dos moradores da região.

Ele conta que a instalação de uma passarela no local é uma reivindicação antiga, cujo primeiro pedido para a obra remonta a 1998, logo após o governador Mário Covas inaugurar a duplicação da rodovia Marechal Rondon. De lá para cá, só ouvimos blá-blá-blá e mais nada. Chegaram a bater estacas para apoiar a passarela, mas só, relata, indignado com a situação.

O Carteiro não sabe precisar números, mas calcula que milhares de moradores dos bairros que margeiam a Rondon naquela região cruzam suas pistas diariamente, colocando em risco suas vidas e, muitas vezes, a de seus filhos. Não dá mais para suportar essa situação.

As pessoas que residem na região dormem e acordam com o perigo, diz, com ar de nervosismo. A família da dona de casa Zenita Caires da Silva marcou presença na manifestação. Seu pai, Divaldo Soares da Silva, 65 anos, foi uma das vítimas da fúria da estrada. Ele morreu em junho do ano passado, depois de ser atropelado.

Justiça

A regional de Bauru do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) tentou, mas não conseguiu, embargar a manifestação através de medida judicial. O departamento não enviou nenhum representante para conversar com os moradores e apontar um prazo para a instalação da passarela.

Segundo informações extra-oficiais, a obra está orçada em R$ 250 mil e estaria prevista no orçamento do Governo do Estado deste ano. Ainda extra-oficialmente, uma outra passarela deverá ser implantada no trecho urbano da rodovia, a mais movimentada da região.

De acordo com o subcomandante do 2º Batalhão da Polícia Rodoviária, major Daniel Barbosa Rodrigueiro, o trecho crítico da rodovia Marechal Rondon no perímetro urbano de Bauru se inicia no km 340 (proximidades do viaduto da avenida Rodrigues Alves) e se estende até o km 347 (próximo ao trevo de conexão da rodovia com a Bauru-Marília, ao lado do núcleo Gasparini).