Roque Ferreira integra chapa que disputa a direção do partido; ele critica sistema de escolha de dirigentes
Cerca de 400 mil filiados militantes do PT vão eleger, em setembro próximo, a direção nacional do partido. As eleições diretas petistas vão apontar, simultaneamente, os novos dirigentes nas instâncias nacional, estaduais e municipais da legenda. Embora faça parte de uma chapa que disputará o comando nacional, o petista Roque Ferreira critica a nova sistemática eleitoral adotada pelo PT.
Para ele, o processo prioriza os grandes chefes do partido e impossibilita a discussões internas com a maioria dos militantes. Na sua opinião, o sistema antigo, que adotava as eleições congressuais, possibilitava debates sobre os rumos da legenda. O novo sistema vai priorizar e fortalecer as figuras públicas do PT, onde terá peso o poder econômico. Esse processo nasce contaminado. Trata-se da reprodução de tudo aquilo que o PT nasceu condenando, critica.
Seis chapas disputam a direção nacional do partido. Estão programados 27 debates por todo o País com a presença dos candidatos. Bauru faz parte da agenda, mas a data ainda não foi definida. Roque compõe o grupo que tem o paulista Marcos Sokol como candidato a presidente. No dia 19 de julho, encerra-se o prazo para a inscrição de candidatos a presidente dos diretórios municipais.
O petista afirma que o processo vai fortalecer a proliferação dos germes da degeneração. Ele justifica sua permanência no partido dizendo que milhões de brasileiros ainda acreditam na atuação política da legenda. Sou construtor do PT. O partido foi fundado por representantes de milhões de trabalhadores. O PT ainda representa a esperança de milhões e milhões de trabalhadores.
Lei de Responsabilidade
Uma das propostas da chapa da qual faz parte Roque é o combate à Lei de Responsabilidade Fiscal. O documento afirma que a aprovação da lei foi uma exigência do Fundo Monetário Internacional (FMI), que quer ver atendidas suas reivindicações.
Todas as reformas foram apresentadas durante uma década como necessárias para pagar a dívida externa e investir no social. Resultado: pagamos US$ 100 bilhões, ficamos devendo US$ 231 bilhões! Setores econômicos foram sucateados, como o elétrico. Os Estados lançados na guerra fiscal que só beneficia multinacionais, diz o documento.
Para o grupo, a privatização destruiu 44% dos empregos do setor estatal. Não há futuro para a nação sem romper com o FMI e a dívida externa e combater a globalização. A única saída realista é enfrentar esse desafio, defendem.
O documento questiona o comportamento da atual direção do PT em relação a esses acontecimentos políticos. Por que a direção do PT parace cega a isso? Será por inexperiência, será por ingenuidade de boa fé? Ou será porque as abundantes poltronas e os ambientes atapetados têm o dom de gerar essa cegueira?
Na avaliação do grupo, os banqueiros e o FMI sabem que não sustentam o ajuste se não associam o PT ao consenso. O presidente do Citibank no Brasil até disse que a ascenção do PT nas prefeituras podia ser uma solução e que agora será a grande prova. É o PT que eles têm em vista.