Meses atrás assisti a um filme de ficção científica sobre um louco cientista do final do século retrasado que inventara a máquina que viajava através das épocas, através do tempo. Ele viajava sem muito controle indo e vindo e aventurando-se de toda sorte.Voltando para nosso século que ainda engatinha, descobri há um mês que se fosse verossímil a história do nosso cientista, ele certamente encontraria muitos parceiros aqui no Brasil. São também cientistas, mas não naquela acepção a qual nos acostumamos, qual seja, indivíduos descabelados, amarrotados, tensos e arredios até com a própria sombra; ao contrário, estes são muito bem colocados em seus ternos provavelmente importados, calmos, serenos, sempre absolutamente seguros do que dizem, com fala complicada para a grandissíssima maioria de nosso povo alegre e sofrido.Sim, são eles, aqueles que não saem dos telejornais, jornais, revistas, nossos ministros, secretários, parlamentares, presidente. A proeza de viajar no tempo (nos fazer viajar) é de fazer inveja ao maluco de Hollywood, pois sem máquinas, sem pensar quase nada (inclusive, certamente deixando de pensar), nos obrigam a voltar 10, 20, 30, 40 anos atrás, talvez mais, em conseqüência da irresponsabilidade de saberem do risco de escassez de energia há anos e não nos advertirem. Portanto, hoje vivemos como nossos pais e avós (é até romântico, e não deixa de ser nostálgico) quando jovens, com velas à noite para ir ao banheiro e até para jantar, sem forno de microondas, sem freezer, alguns até sem geladeira, casa às escuras, e muito mais.E o pior de tudo, certamente em conseqüência de lobby das empresas que privatizaram o sistema de distribuição de elétrica, a energia que falta passa a ser mais cara, com a indefectível sobretaxa (a velha compulsória o que se torna eterna) com risco até de ser cortada (que torcemos para que não se viabilize). Será que tudo isso não seria causado somente para que houvesse aumento de tarifa? Depois de sermos compulsoriamente levados a visitar a qualidade de vida de décadas atrás, erguemos as mãos para Brasília, ou onde quer que possa haver bom senso e responsabilidade, para que nos deixem voltar para nosso século, certamente mais conscientes da preservação de nossos recursos naturais, porque nós, aqui embaixo, bem abaixo do Olimpo, quando solicitados, nos engajamos, não precisamos mais de medidas de exceção para mostrar nosso civismo. (Dirceu Alves da Silva Junior - CRM-SP 57878)