07 de julho de 2026
Geral

Pegando pacu à unha !!

(*) Henrique Mendonça
| Tempo de leitura: 2 min

Certa vez, em um pesque-pague de Porto Alegre (RS), pescando à noite e usando bóia luminosa, estava tentando fisgar um pacu (aquele grandão, é claro!!). Após vários arremessos próximos ao barranco, resolvi tentar mais no meio do pesqueiro. Após alguns minutos, fisguei o danado. Briguei, briguei e aos poucos consegui encostá-lo no barranco, na hora de retirá-lo da água, o bicho cortou a linha, pois eu estava sem empate, lamentei muito e indignado resolvi tentar novamente, agora com um belo e resistente empate...

Lá pelas 22 horas, fisguei outro. Desta vez era maior, mais brigador, mais pesado, o que me deixou preocupado pois eu usava uma linha muito fina (acho que 0,30). Com muito cuidado e paciência, trouxe o bicho até uns dois metros do barranco. Num último e decisivo golpe, o peixão me pegou desprevinido e conseguiu rebentar novamente a linha, porém, para minha surpresa, desta vez levou junto a bóia luminosa...

Uma cena ao mesmo tempo engraçada e angustiante ver aquela luz correndo de um lado pra outro, às vezes sumindo no fundo e levantando mais adiante...

Desolado e cabisbaixo, comecei a arrumar minhas tralhas para ir embora, imaginando como iria contar aos meus amigos, certamente iriam me chamar de mentiroso. Resolvi, por uns instantes, acompanhar a bóia ao redor do pesqueiro quando, para minha alegria, encontrei um barquinho (do tipo pedalinho) usado para passeios no açude.

Não pensei duas vezes: embarquei e saí na perseguição ao peixe!!! Pedalei, pedalei... várias vezes fui driblado pelo bicho que afundava ou fazia a volta quando eu me aproximava.

Entretido com a caçada, não reparei que aos poucos se formava uma platéia. Alguns torcendo por mim, outros pelo pacu. Uma cena que muitos nunca esquecerão, inclusive eu, é claro. Depois de muito pedalar, o bicho cansou e consegui agarrar a bóia. Levantei e constatei que havia pescado (ou caçado) um belo pacu de 3 Kg.

Vitorioso e com um sorriso no rosto, encostei no barranco e desembarquei com meu troféu sob os aplausos da torcida... acredite se quiser!!!

(*) Henrique Mendonça é pescador de Porto Alegre (RS) e contador de histórias