09 de julho de 2026
Geral

Para Nilson, maioria na Câmara não preocupa

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Nilson Costa (PPS) disse, ontem, que não está preocupado em ter ou manter maioria na Câmara Municipal. O chefe do Executivo avaliou que sempre se manteve na corda bamba nos últimos dois anos na Câmara, referindo-se à maioria mutante em relação a seu governo, dependendo do projeto de lei em votação. Ao contrário do que havia mencionado depois de vencer as eleições do ano passado, o prefeito diz que não tem preocupação em ter maioria no Legislativo.

Nilson comentou que sempre me equilibrei nos dois anos anteriores, nunca tive maioria na Câmara. Estou fazendo tudo certo, dentro da lei. Estou cumprindo o meu dever. Os vereadores têm os seus deveres e obrigações e não vejo que eles votem contra um projeto bom para a população. Sobre o fato de nove vereadores participarem da representação contra ele ao Ministério Público (MP), contestando contratação sem licitação no DAE, o prefeito avaliou que se esses vereadores vêem na representação alguma conveniência que representem, tudo bem, é um direito. O número de assinantes não é nada despresivo. Significa praticamente a metade do Legislativo, já que o presidente, Walter Costa (PPS) só participa de votações em casos especiais e quando há empate.

Além de não ter uma bancada propriamente formada na Câmara com condições de garantir a maioria nos projetos, o Executivo vem acumulando derrotas em alguns projetos. A Câmara já derrubou vários vetos do Executivo, com placares expressivos. Além disso, um grupo de pelo menos cinco vereadores vem declarando que não faz parte nem do time de oposição nem de situação, o que torna a posição do prefeito em relação ao plenário bastante vulnerável. O que se sente nos bastidores da Câmara é que o Executivo terá dificuldades em aprovar projetos polêmicos, justamente em uma fase em que a Prefeitura prepara leis que podem levar a reações contra o governo.

O Executivo adiantou que pretende enviar à Câmara o projeto que vai criar o novo regime de previdência ainda neste ano, assim como o projeto que revisa a planta genérica do IPTU para o exercício seguinte. Um pacote fiscal também já foi preparado pelo Palácio das Cerejeiras, que precisa encontrar mecanismos para aumentar a receita de forma urgente. Todas essas questões estão próximas de serem encaminhadas à Câmara, em um período em que o prefeito enfrenta representações seguidas dos vereadores no Tribunal de Contas do Estado (TCE) e no Ministério Público (MP).

Além disso, mesmo o grupo de vereadores simpatizantes ao Executivo não demonstra contentamento com o tratamento dado pela Administração, sobretudo em algumas pastas. Recentemente, houve tentativa de contornar a situação com uma reunião entre o prefeito e pelo menos 11 vereadores. As críticas por resultados e pela dinamização na implementação de vários programas também já são sentidas entre aqueles que continuam apoiando o governo. O sinal é de que a tolerância em torno do governo, que está no início de um mandato, não deve perdurar por muito tempo, assim como aumenta a expectativa na população por resultados, sobretudo na periferia.