08 de julho de 2026
Geral

A CHACUN SON ENFER

Hesso A. Maciel
| Tempo de leitura: 2 min

Odeio poluição sonora. Detesto algazarra, frenesi, bombas estourando, gente que fala alto, música frenética em alto volume, rock, samba, funk. Me enlouquece a algaravia do mundo que parece comprazer-se em gritar, esbravejar, agitar-se loucamente como se estivesse em convulsão (e está).

Desde jovem sempre evitei bares noturnos, festividades várias onde as pessoas se aglomeram para fazer barulho. Muito barulho. E soltar rojões. Rojões juninos, para a padroeira, para o time de futebol, para a miss, aniversários, mortes, política, protestos, Natal, Ano Novo. O tempo todo! Infernando nossos ouvidos, nosso sistema nervoso, nossos doentes, nossos animais, nossa paz!!!

O mundo tenta disfarçar sua pequenês de planeta em expiação, muito pouco evoluido, com muito barulho. E aí comprova isso. E me ferra!

A começar por minha rua lá da Falcão, da qual não consigo escapar. Escoadouro da animalia humana do pior...... que por ali transita, vindo e indo de bairros ditos problemáticos. Na volta dos bailinhos e boatinhas frustrantes, soltam bombas, gritos escâncaros, dão pontapés, destroem postes, orelhões, árvores, portas, portões e tornam nossas noites sobressaltadas. São acompanhados pelo ladrar assustado e alvoroçado da cachorrada do bairro, que não tem culpa do fato em que os verdadeiros animalejos estão passando com sua pesada larga de carência, ignorância e barbárie.

E tem tiros, correria. A gritaria das moças perseguidas na madrugada de álcool e drogas. A cada um seu inferno o meu, o de exasperar-me com tanto barulho que atormentam a mim e aos meus cães. Uma noite bateram em meu portão à meia noite, às 4 da madrugada, às 7 da manhã, causando alarido dos meus cães que geralmente dormem quietos. Um inferno! E que me enche de dores e deixam os cães barulhentos e frenéticos dentro do meu refúgio. Os cães ficam chatos, com essas pessoas que de dizem humanos. E o inferno continua fazendo ferver meu prolapso, e minha alma indignada.

Não vejo saída, a rota de fuga no meio infernal da rua que amanhece com gente falando alto (e as bombas, elas não param) e me fazendo compartilhar de seus assuntos, o que não me interessa mesmo.

Carros, caminhões rugindo atropelando pessoas e animais, motos grandes como dragões urrando o complexo penil que avassala, adolescentes esgoelando, crianças gritando. O inferno é aqui! E adentra minha casa, o fator externo odioso entrando por nosso quintal, invadindo nossa vida!

E quando tento um pouco de quietude e música suave, os cães que amo e que escolhi como companhia em lugar de família, crianças brigas sem parar nunca. Bem, os cães, repetem tudo isso numa afirmação torturante que o planeta é de expiação e que ninguém escapará do seu inferno planejado de acordo com o que sabe-se lá, expiatório. (Hesso A. Maciel - RG. 4.161.922)