Esse número é praticamente igual ao que foi registrado pela Polícia Rodoviária durante os doze meses do ano passado
Em apenas seis meses o número de cargas e de caminhões roubados na região de Bauru superou o total registrado durante todo o ano passado. Essa é a constatação a que se chega ao observar os números apresentados pelo 2.º Batalhão de Policiamento Rodoviário.
De acordo com as estatísticas dos policiais, até a última quinta-feira (21) 77 caminhões haviam sido roubados, este ano, na área do 2.º Batalhão, que cobre mais de um terço do território paulista. Durante todo o ano passado, esse número chegou a 78.
Embora o número de ocorrências tenha sofrido um aumento considerável, a preferência por um determinado tipo de carga continua inalterada. Os quatro produtos mais visados pelos assaltantes são, na ordem de preferência, a carne bovina, combustível, cerveja e cigarro. Tanto no ano passado quanto neste, essas foram as cargas que mais despertaram o interesse das quadrilhas.
O horário de maior incidência dos assaltos é durante a noite. Dos 77 registrados pela polícia, 51 foram realizados no período noturno.
Um dado positivo, apresentado pelas estatísticas policiais é que em todos esses assaltos a vida do motorista teria sido preservada. Não há registro de mortes. Embora o caminhoneiro bauruense Sérgio Vigário tenha sido assassinado semana passada, ele não entrou nas estatísticas, pois os locais onde foram encontrados o corpo e o caminhão não pertencem à área do 2.º Batalhão, segundo informou o tenente Mário Donizete dos Santos. Segundo ele, só neste ano, três quadrilhas teriam sido desmanteladas pela ação da Polícia Rodoviária. Elas foram surpreendidas pela patrulha em Avaré, Ourinhos e Araçatuba.
Sem revelar detalhes sobre um plano de ação que estaria para ser colocado em prática, o tenente Mário adiantou que os seguidos roubos que vêm ocorrendo na região deverão sofrer uma queda. Uma das alternativas seria a realização de um patrulhamento mais ostensivo, com reforço vindo de outras bases, nos locais que apresentam os maiores índices de assaltos.
Mesmo com planos de aumentar a fiscalização nas estradas da região, tenente Mário faz algumas recomendações aos motoristas. Ele pede para as viagens sejam feitas de preferência durante o dia e em comboios. Em caso de assalto a vítima deve evitar qualquer tentativa de reação.
Embora não tenha dados concretos, o tenente acredita que, em algum lugar na região de Bauru, existe um local para a desova de produtos roubados. Ele cita como exemplo a localização, esta semana, de um caminhão tanque vazio na rodovia Bauru/Marília. A carga, com 35 mil litros de óleo diesel, havia sido roubada na terça-feira (19) na rodovia que liga Jaú a Bariri.
O caminhão não roda mais do que 50 quilômetros depois de descarregado, acredita o tenente.
O delegado Antônio Benedito Valencise, chefe da Delegacia Seccional de Jaú, vai um pouco além e enxerga nesses roubos de carga a ação de narcotraficantes. Isso não é uma suspeita, mas sim uma certeza, afirma.
Só este ano, as cidades próximas a Jaú registraram 22 casos de assalto a caminhoneiros. Embora os roubos não tenham sido praticados na região, os motoristas e alguns caminhões foram deixados na região, em locais relativamente próximos, segundo observação feita pelo delegado.
Desde o ano passado, Valencise conta que 38 pessoas já foram presas sob acusação de roubar cargas. O delegado acredita que nessas prisões sete quadrilhas teriam sido desfeitas.
Como sugestão para inibir a prática do roubo de cargas, Valencise destaca a aplicação de uma pena maior para o receptador, que hoje pode ser condenado por, no máximo, quatro anos de cadeia. Enquanto isso, o autor do roubo pode receber uma condenação que varia de três a dez anos.
Outras duas sugestões seriam o monitoramento do caminhão, via satélite, e a instalação de postos de apoio aos caminhoneiros ao longo das principais rodovias.
Prejuízo de R$ 500 milhões
O roubo de carga de caminhões, em todo o País, aumentou cerca de 18% ao ano, em média, nos últimos cinco anos. No ano passado, foram registrados 2.288 casos no Estado de São Paulo. Esse tipo de crime provocou prejuízo de R$ 500 milhões no ano passado.
Existem no Brasil, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Carga, 12 mil empresas e 250 mil autônomos nesse setor, onde trabalham 3,5 milhões de pessoas usando 1,2 milhão de veículos.
Recomendações
- Caso haja problemas com seu caminhão, evite ficar parado em lugar deserto, faça o possível para chegar até um posto de policiamento rodoviário;
- Para dormir, procure o estacionamento de um posto de gasolina ou para perto de um posto de policiamento rodoviário.
Entrega da carga:
- Quando estiver chegando no destino, antes de entrar na cidade, verifique se conseguirá entregar a carga no mesmo dia;
- Em caso negativo, durma em um estacionamento seguro. Fique atento ao desembarque da carga;
- Com o caminhão vazio, aproveite para verificar novamente os pneus, a parte mecânica, ...
Seu caminhão:
- Evite deixar o veículo aberto ou com a chave no contato;
- Quando estacionar, evite os acostamentos, salvo em emergências; procure por locais bem iluminados;
- Ao receber sinal de estranhos, não pare e nem dê carona;
Instale sistema de alarme e segurança. Faça seguro total (roubo, incêndio).
Fonte: site www.roubodecargas.com.br