08 de julho de 2026
Geral

Profissional das estradas

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Ele vive longe da família, solitário, trabalhando 14, 15, 16 e às vezes até 24 horas sem parar. Em muitos casos, seus únicos companheiros são o toca-fitas e o radioamador, por onde troca informações com os amigos de estrada e ouve melodias tristes, alegres ou saudosas enquando conduz o seu caminhão. Em 30 de junho, comemora-se o Dia do Caminhoneiro, um profissional das estradas que enfrenta muitas dificuldades, mas nem sempre é lembrado.

De Norte a Sul e de Leste a Oeste do Brasil, os caminhoneiros enfrentam surpresas e desencontros. Na boléia do caminhão, ele segue seu destino no transporte de cargas. Quase todos os produtos que a gente consome já passou momentos em uma carroceria de caminhão. Em viagens longas ou não, é o caminhoneiro que leva as frutas, os materiais para construção, as peças das indústrias, os combustíveis. Já pensou se eles resolvem parar? Vira uma bagunça!

Quando há uma greve de caminhoneiros em determinada região, já fica muito complicado, pois alguns produtos vão estragando nas carrocerias e não chegam ao seu destino. A população fica sem receber produtos bási-cos e neces-sários para o dia-a-dia. Se todos pararem, o País pára. Não dá para esquecer como o Brasil depen-de do transporte rodoviário. Os caminhoneiros pedem segurança e a conservação das estradas, o que dificilmente acontece. Às vezes ele trans-porta produtos químicos peri-gosos, outros que não teria condições financeiras de possuir.

A vida na estrada tem momentos curiosos. Encontro de caminhoneiro em posto de estrada vira contação de história. Cada um tem uma aventura na manga. Algumas engraçadas, outras de dar medo e terror. Além da precariedade de muitas estradas do País, eles precisam enfrentar balsas para atravessar rios e o perigo das serras. Neblina e chuva podem atrapalhar muito a viagem. Sem contar os assaltos, que hoje, infelizmente, têm ocorrido bastante.

Os caminhoneiros correm riscos a todo momento. É uma missão perigosa, essa de viver nas estradas. E se o caminhão quebra? E aí? Nessas horas, o companheirismo aparece. Sempre pára um outro caminhão para prestar socorro. A união é importante, sempre.

Devoto

Muitos cami-nhoneiros são religiosos. Devotos de Nossa Senhora, Santa Rita ou Coração de Jesus, mas o campeão é São Cristóvão, considerado o protetor dos caminhoneiros. A boléia do caminhão carrega a vida do motorista. Lá fica a sua cama, suas roupas e suas lembranças. No pára-brisas uma frase Jesus é meu guia e um monte de enfeites no painel. Imagens, fotos e as músicas oferecem ao caminhoneiro um pouquinho de sua terra, seus afetos e suas saudades.

Pára-choque de caminhão

É difícil encontrar um caminhão que não tenha o pára-choque com uma frase pintada. Os temas são os mais variados e criativos, mas mulher, estrada e caminhão são os campeões. É a marca do caminhoneiro que traz uma pitada de humor à viagem. Você já observou as frases quando viaja com sua família? Comece a prestar mais atenção e note também os códigos das estradas. Os caminhoneiros têm sinais para indicar como anda a estrada, perigos, possibilidades de ultrapassagem. Existe soli-dariedade. Mas nem sempre os motivos são de festa, pois há os acidentes e crimes em roubos de carga. O caminhão também é um bem valioso, cuidado com carinho pelo caminhoneiro. É o caminhão que oferece o sustento de sua família, que pacientemente e com muito amor aguarda a volta de seu caminhoneiro. Depois de alguns dias, nova partida, e mais dias e noites de estrada. É sempre assim, mas eles não pensam em parar. É a vida que gostam e defendem, mesmo com dificuldades e desencontros. Feliz Dia dos Caminhoneiros a todos!