09 de julho de 2026
Geral

Prefeitura trata 9,3 mil hipertensos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Só no primeiro trimestre deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde de Bauru registrou 29 óbitos de pacientes hipertensos cadastrados

A Secretaria Municipal de Saúde de Bauru (SMS) trata, atualmente cerca de 9,3 mil pacientes com hipertensão arterial. São pessoas cadastradas nos Programas de Saúde do Adulto, criados em 1987, seguindo determinações do Ministério da Saúde.

De acordo com o médico coordenador dos programas, José Archangelo Garcia, todo paciente que procura os serviços municipais de saúde tem sua pressão medida no exame clínico. Quando a pressão está alterada, nós pedimos para o paciente sentar e aguardar algum tempo (cerca de 40 minutos) e repetimos a verificação. Se a pressão se mantiver alterada, o paciente é encaminhado para nova consulta e novos exames. Quando o diagnóstico de hipertensão é confirmado, o paciente é automaticamente cadastrado no programa, explicou.

Estes pacientes cadastrados recebem um acompanhamento por equipe multidisciplinar, envolvendo médicos, enfermeiros, assistentes sociais e nutricionistas. Uma vez ao mês, eles comparecem à Unidade Básica de Saúde à qual pertencem e fazem uma avaliação dos níveis de pressão, da mudança de hábitos e da dieta alimentar. Além disso, aqueles que precisam de remédios recebem a medicação gratuitamente.

Nosso objetivo é acompanhar a evolução dos casos para tentar minimizar os efeitos da hipertensão nos órgãos-alvo. Então, nós fazemos uma análise trimestral dos índices de complicações, mortalidade, participação e incidência, comentou o médico.

No primeiro trimestre deste ano, havia cerca de 9,3 mil pacientes hipertensos cadastrados no Programa. Considerando que a incidência da doença é de 20%, percebe-se que os pacientes em tratamento estão muito aquém da realidade da doença no município, observou Garcia.

Dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Bauru tem 315,8 mil habitantes. Estima-se que o número de hipertensos chegue a 60 mil, dos quais apenas 16% participam do tratamento oferecido pela SMS. Evidentemente, há um percentual de portadores do distúrbio que faz tratamento particular ou através de convênios. Mas, mesmo assim, deduz-se que muitos bauruenses, potenciais hipertensos, não sabem que têm a doença.

A falta de tratametno ou diagnóstico tardio reduzem a expectativa de vida do doente. No primeiro trimestre deste ano, 29 dos hipertensos cadastrados pela SMS morreram.

Mulheres

Dos 9,3 mil pacientes cadastrados, 68% são mulheres. À primeira vista, isso pode parecer controverso, já que os especialistas garantem que a incidência da hipertensão arterial não varia entre os sexos. Ao contrário, nas mulheres, ela costuma aparecer mais tarde, depois dos 45 anos, quando a mulher entra na menopausa. Antes disso, o hormônio feminino (estrógeno) age nas paredes das artérias, garantindo-lhes uma proteção.

No entanto, nas últimas décadas, um fator de risco muito importante para a hipertensão em mulheres tem sido a pílula anticoncepcional, que faz elevar a pressão. Por isso, mulheres com tendência genética ao distúrbio devem evitar o uso dos hormônios orais.

Outra questão importante para essa diferença no cadastro de homens e mulheres pode estar na dificuldade que os homens têm em aderir ao tratamento, como foi mencionado na página 3. Eles trocam o controle da pressão e a manutenção da saúde pelas bebidas alcoólicas. Ou abandonam os remédios temendo a impotência sexual, quando poderiam, simplesmente, solicitar a troca do remédio ao seu médico.

Eclâmpsia

Outra causa provável para um índice maior de mulheres hipertensas é que algumas mulheres podem apresentar aumento de pressão durante gravidez, que se chama eclâmpsia. Pode aparecer em mulheres que nunca tiveram problema de pressão. Geralmente, manifesta-se nos últimos três meses da gestação e, se não for diagnosticada e tratada, pode levar a mulher a quadros de convulsão e hemorragia, levando mãe e feto à morte.

Segundo os médicos, no início da gravidez, os vasos sangüíneos tendem a se dilatar para nutrir as células e garantir a sobrevida do feto. Com isso, a pressão cai. Porém, em algumas mulheres, a partir do sexto mês de gestação, o útero e a placenta jogam na circulação uma substância que induz as artérias a uma contração, o que pode elevar além do normal a pressão sangüínea. Nestes casos, muitas vezes, é preciso antecipar o parto para preservar a vida de mãe e filho.

Infelizmente, não há como evitar a eclâmpsia, mas a mulher que segue o pré-natal adequadamente pode detectar a hipertensão logo no começo. Com isso, o médico prescreve remédios para baixar a pressão e indica repouso à gestante. Um bom controle vai permitir que a gravidez seja conduzida até o oitavo ou nono mês, mesmo que a mãe tenha que se submeter a um parto cirúrgico (cesárea). Depois do parto, a pressão pode voltar ao normal ou não. Quando não, a mulher tem que se submeter a um tratamento de hipertensão.

Vale ressaltar que, na mulher hipertensa, uma gravidez pode elevar ainda mais os níveis de pressão, prejudicando o desenvolvimento do bebê, que tende a ser menor e prematuro. Nesse caso, a mulher deve fazer um rigoroso acompanhamento médico antes, durante e depois da gravidez.