São tantas as páginas negras a registrar em nossa história política contemporânea, que ficará a impressão que esta é a única cor de papel disponível no Brasil de nosso tempo.
Como distinguir a denúncia grave do mesquinho oportunismo político? Exposição a ambos é inerente à administração pública e, frente a situações assim problemáticas, duas atitudes seriam possíveis. Eliminar o problema ou resolvê-lo.
Tem-se visto a aplicação sistemática da primeira opção. Elimina-se o problema e acaba tudo em pizza.
Fazer julgar o mérito das questões levantadas? Nem pensar.Consideram-no desgastante.
A tentativa de desqualificar os acusadores parece ser a única resposta possível. A proposta é fechar tribunais, visto poderem transformar-se em palcos políticos. Tenta-se substituir apontar mazelas por oportunismo político. Levantar o dedo para o lado errado qualifica o acusador como irresponsável.
Quem é afinal irresponsável? Quem denuncia? Os que se julgam aviltados?A imprensa que veicula as notícias? Nós, infelizes cidadãos e vítimas, que vemos, ouvimos e lemos?
A CPI foi afastada, a dúvida não. Mas se resta dúvida sobre a procedência das denúncias, fica cristalina a sordidez dos meios empregados no processo.
Dos parlamentares que assinaram ou não o pedido de CPI, talvez não seja o momento de falar. Mas assinar, para depois vender as assinaturas. E o suborno?! A desfaçatez de nos apresentar a conta para pagar!
Enfim, não deixando que desta vez surgisse a primeira exceção, fizeram a tradicional pizza para celebrar o fim do problema.
Mas esta pizza cheira muito mal! Não somos obrigados a digeri-la. Clientes educados que somos, não nos passa pelo pensamento atirar o alimento estragado no rosto dos cozinheiros. Vamos devolvê-la à cozinha através do próximo garçom. E ele passa daqui a pouco. Nas próximas eleições.
(*) O autor José Luiz Gomes do Amaral é presidente da Associação Paulista de Medicina