10 de julho de 2026
Geral

Pequenas empresas faturam mais

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

As micro e pequenas empresas (MPEs) do Estado de São Paulo tiveram um desempenho positivo nos quatro primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, com um crescimento médio de faturamento de 1,9%. O melhor desempenho vem da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que teve um crescimento de 4,2%. O Interior manteve-se estável, com uma variação positiva de apenas 0,1%, de acordo com a Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe) de abril, realizada em conjunto pelo Sebrae-SP e Fundação Seade.

Na comparação de abril de 2001 com abril do ano passado, o resultado foi pior no Interior, cujas empresas apresentaram queda de faturamento de 2,1%. Enquanto isso, a RMSP teve resultado positivo de 3,6%, fazendo com que a média do Estado ficasse em 0,3%.

No primeiro quadrimestre, o setor que mais se destacou foi o de serviços, com aumento de 9,4% no faturamento no acumulado. As micro e pequenas de serviços foram as que mais sentiram a forte crise econômica do começo do ano passado, mas também as que se recuperaram mais rapidamente.

A retomada teve início já no segundo semestre de 2000 e os meses de março e abril deste ano foram os de melhor desempenho para o setor nos últimos 12 meses.

A indústria também apresentou resultados positivos nos quatro primeiros meses, com aumento de faturamento de 7,3%. Porém, o comércio apresentou uma queda de 3,2%.

Na comparação de abril deste ano com abril de 2000, o quadro se repete, com números diferentes: a indústria cresceu 7,3%, o comércio perdeu 4,3% de faturamento e o setor de serviços cresceu 5,3% em arrecadação.

Na comparação entre abril e março deste ano, houve uma queda média de 7% no faturamento da indústria, comércio e serviços (que teve a menor queda, de 2,6%). A principal razão, segundo o assessor de Pesquisa e Planejamento Estratégico, Marco Aurélio Bedê, foi o fato do mês de abril deste ano ter dois dias a menos do que março - uma diminuição de 10% considerando um total de 22 dias, diferença significativa para as empresas.

Em relação ao pessoal ocupado, essa categoria de empresas apresentou um crescimento médio de 6,7%, com melhor resultado para a Região Metropolitana, com alta de 8,6% contra 4,7% do Interior. Por setores, a indústria apresentou crescimento de 8,3% na mão-de-obra ocupada, enquanto o setor de serviços aumentou 8,1% e o comércio 5%.

Na comparação de abril de 2001 com abril do ano passado, o crescimento médio ficou em 5,5%, sendo 8% da RMSP e 2,8% do Interior. Neste comparativo, indústria apresentou crescimento de 8,9% na mão-de-obra ocupada, enquanto o setor de serviços aumentou 6,9% e o comércio 2,7%.

Em relação aos gastos com salários, o aumento médio no primeiro quadrimestre foi de 16%, sendo 11,5% na indústria, 7,3% no comércio e 18,3% no setor de serviços. No comparativo de abril deste ano com abril do ano passado, o crescimento médio foi de 15,3%, sendo 14,1% na indústria, 2,1% no comércio e 19,5% no setor de serviços.

De acordo com o Bedê, a crise na economia Argentina, e a conseqüente alta da cotação do dólar, tem impacto menor do que os dois dias a menos no mês. Mas a alta dos juros (taxa Selic), pode ter influenciado negativamente as vendas no comércio pois provoca queda nos financiamentos.

O comércio foi setor que apresentou pior desempenho na comparação entre abril e março, resultado negativo de 7,7%. No entanto, este também é o setor no qual ocorrem as maiores oscilações pois são fortes os fatores sazonais: vendas crescem muito em épocas como Natal e datas comemorativas como Dia dos Namorados, Dia dos Pais e outras.

De acordo com Bedê, o comércio normalmente recupera nas temporadas de venda as quedas no faturamento de épocas fracas.

A indústria teve desempenho negativo de 7,3% na comparação entre abril e março. Nos quatro meses do ano, foi a única que apresentou queda no faturamento, porém de 4,3%.

Momento é de cautela

Para o economista e consultor de empresas Carlos Roberto Sette, o comportamento das micro e pequenas empresas (MPEs) nos primeiros quatro meses deste ano foi, em média, superior ao mesmo período do ano passado, como esperado. Porém, agora o momento é de cautela. Lembra que as perspectivas eram boas naquele momento, mas vários fatores da conjuntura externa e interna poderão obscurecer as tendências daqui para frente.

As turbulências da economia argentina têm feito o dólar disparar no mercado financeiro. O aumento da taxa básica de juros realizada pelo Banco Central ocasionou a elevação das taxas de juros na ponta do varejo e no financiamento do capital de giro das empresas. A crise energética já dá sinais, neste momento, de que muitas empresas terão que fazer ajustes na produção, principalmente nas indústrias, onde o problema é maior. Sinais de desemprego já apontam no cenário, principalmente no segmento industrial.

Por outro lado, destaca Sette, pode-se observar que no comércio e no setor de serviços, o impacto da crise energética será menor - o que traz um certo alívio ao mercado, e, principalmente, às MPEs, que tem nesses setores seu maior contingente de empresas.

O economista destaca que o mercado já dá sinais de diminuição na procura por mão-de-obra e de faturamento. Isso impactará nos negócios futuros das empresas e na renda per capita da economia. O menor volume de investimentos trará conseqüências diretas para o setor de bens de capital - composto dos fabricantes de máquinas e equipamentos e do setor de construção civil, que absorve a maior parte dos trabalhadores não-qualificados do País, analisa.

Nesse cenário, ensina Sette, todo o cuidado é pouco. Recomenda-se às MPEs para que aumentem a atenção aos custos, às ineficiências do setor produtivo causados pela provável redução de pedidos em carteira e pela crise de energia.

Para o economista, haverá impactos sobre os indicadores macro da economia brasileira e todos devem estar acompanhando, principalmente o aumento do déficit público via aumento das taxas de juros, a taxa de inflação, o desempenho da balança comercial e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

No meio de tantas incertezas, afirma Sette, surgem algumas oportunidades, principalmente para o setor de agronegócios que utiliza baixo consumo de energia elétrica e que poderá ter um desempenho muito bom durante o ano de 2001. No mais, resta acompanhar o comportamento da economia ao longo dos próximos meses, principalmente os impactos da crise energética, para estabelecermos novos prognósticos.