08 de julho de 2026
Geral

O que sobra para os idosos?

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Não seja porque tenha o Brasil ultrapassado inteiramente a idade dos 500 anos que se tenha o direito de pensar possa ele ter um plantel fabuloso de idosos de ambos os sexos. Seria uma sandice... Afinal, por que colocar a nação numa posição tal, tendo-se em vista que os cinco centenários que nossa terra carrega nas costas possam assegurar-lhe índices probatórios para situá-lo entre as nações mais envelhecidas de quantas existem por aí? Na verdade, não se poderia fazê-lo uma vez que, ainda que a nação tenha envelhecido um pouco (será?) nem todos os idosos que ela gerou através dos tempos estejam aí nas suas paisagens, eis que milhares ou milhões deles já despediram do cenário agreste da vida em meio às lágrimas de tantos descendentes, ascendentes e amigos. Impossível, então, observar diferente o panorama, porque, convenha-se, a morte é coisa da vida e, um dia, sabe Deus quando e por que, terá de morrer quem esteja por aí, bem vivinho, com poucos ou muitos janeiros existentes na sua belíssima folhinha, toda enfeitada com figuras de flores com que o mundo os presenteou.

Mas, não obstante, nestas noites de luar, nestes dias de sol, naqueles de muito frio e bastante calor, há ainda no país, sem dúvida, uma enorme legião de velhuscos, como os classifica nossa colega de trabalho, a Rosana, referindo-se ao grande número de pessoas que homericamente estão por aqui derrotando o desafio do amanhã, do qual ninguém consegue escapar. E poderia o Brasil tê-los em maior quantidade ainda se os poderes públicos viessem a dar-lhes toda a assistência de que carecem e reclamam insistentemente, a todo transe, conforme insiste e persiste a diligente mídia. Seria isso imprescindível, inegavelmente, e, por tal razão, agora, está a Câmara dos Deputados sendo despertada para o problema, buscando implantar um Estatuto do Idoso, à sombra do qual, espera-se, há de vegetar para a terceira idade o que ela necessita para continuar crescendo, mais um pouco, como o fez nas suas primeiras caminhadas.

Uma Comissão estuda a questão no Congresso e a sociedade precisa estimulá-la vigorosa e insistentemente na importante tarefa a fim de que também a categoria desfrute dos programas sociais e econômicos outorgados aos jovens e adultos da nacionalidade, até porque, afirma-se conscientemente, todos têm de ser iguais perante a lei, não importando a idade, o sexo e a sua atividade profissional. Nem, também, que tenham no bolsinho do velho colete menos reais que os outros, pois o prolongamento de suas existências precisa ser tentado pelos órgãos que o Estatudo criar especificamente para eles, como pretende. É a nossa opinião.

(O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).