07 de julho de 2026
Geral

Em confiança

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 5 min

O QUE VIER É LUCRO

As mudanças no calendário do futebol brasileiro, a partir de 2002, deixaram alguns esportistas preocupados, e outros, otimistas. Os times pequenos do interior paulista não aprovaram o novo calendário. Aqueles que ficaram de fora das disputas regionais (Torneio Rio-São Paulo, Copa Sul-Minas, Copa Centro-Oeste, Copa Norte, Copa Nordeste) acham que o Paulistão perderá com a ausência dos grandes, que apenas deverão disputar o Superpaulistão - uma competição que será formada pelo campeão paulista e os três melhores no Rio-São Paulo. O colega José Carlos Gonçalves (Rádio 710 e Imprensa Bar), está um tanto receioso. Ele disse, ontem, que com a mudança, o Noroeste poderá ser incluido numa Quarta Divisão. Eu acho que pode acontecer justamente o contrário: o Norusca na Série A-II, a Segunda Divisão, no próximo ano. Sem Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos, Portuguesa, Guarani, Ponte Preta, Etti Jundiaí e São Caetano ou Botafogo de Ribeirão Preto, o Campeonato Paulista precisará ter mais integrantes, porque sobraram só sete times na Primeira Divisão. Algumas equipes da A-II podem subir para a Série A-I, e times da A-III pulariam para a A-II. Muitos clubes já foram beneficiados. O Guarani, por exemplo, que seria rebaixado para a Série A-II, disputará um certame que reunirá os melhores times dos dois principais centros futebolísticos do País, São Paulo e Rio de Janeiro. A exemplo do Bugre, o Bangu também está soltando rojões, porque estará de volta ao Torneio Rio-São Paulo, e terá nova chance voltar a se destacar no cenário nacional. O último colocado do Regional (Rio-São Paulo ou Sul-Minas, por exemplo) cairá para o Estadual (Campeonato Paulista, Carioca ou Gaúcho) e o campeão do Estadual subirá para o Regional. Exemplo: se o União Barbarense ganhar o Campeonato Paulista de 2002, participará do Torneio Rio-São Paulo de 2003. O calendário quadrienal pode até não dar certo, mas não custa tentar. O Noroeste, que atravessa fase crítica e que no momento não tem direito a escolha alguma, pode até ser beneficiado. Aliás, sua situação, pior do que está, impossível. Para o Norusca, o que vier será lucro.

PODEROSA

Existe a possibilidade de o Brasil ter direito a seis representantes na Libertadores do próximo ano. Atualmente, indicamos quatro clubes: os dois primeiros colocados do Campeonato Brasileiro e os vencedores da Copa do Brasil e da Copa dos Campeões. Estuda-se a possibilidade de o terceiro e o quarto colocados do Brasileirão também terem direito a vaga. Segundo os dirigentes de clubes, uma Libertadores vitaminada interessa a Rede Globo de Televisão, já que a competição continental tem sido responsável por altos índices de audiência nas noites de quarta-feira, dia em que o SBT apresenta o Show do Milhão. A Globo tem uma influência cada vez maior no futebol do País, e o calendário divulgado terça-feira, foi bolado a como a emissora queria. Poderosa como é, pode até mudar as regras do jogo na Libertadores.

EXPERIÊNCIA

O técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, talvez desista do esquema com líbero e escale a Seleção no 4-4-2. Mas no treino de ontem foi só uma experiência. O treinador testou o esquema 4-4-2, na vitória titulares sobre os reservas por 2 a 0, com gols de Élber e Romário. No coletivo, Felipão barrou Fábio Rochemback para que Roque Júnior pudesse atuar como segundo volante de marcação, uma vez que Mauro Silva não terá condições de jogo. SUSPENSÃO

O goleiro Dida e o meia Recoba deverão ter condições de jogo na partida entre Brasil e Uruguai, domingo, em Montevidéu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, porque a Fifa só deve julgar os casos de passaportes falsos em julho. São 13 jogadores suspensos por um ano, entre eles os atacantes Fábio Júnior, atualmente no Palmeiras, e Warley, no Grêmio, e o lateral Jorginho Paulista, no Vasco. Além destes, mais três brasileiros foram punidos: Alberto (Udinese) Jeda e Dedé, do Vicenza.

BRASIL DETONA

O Brasil confirmou ontem sua classificação para as semifinais da Liga Mundial de Vôlei. A Iugoslávia derrotou a Polônia por 3 sets a 0, e nossa seleção só seria eliminada se os poloneses derrotassem os atuais campeões olímpicos por 3 a 0 e se a França vencesse a equipe do técnico Bernardinho pelo mesmo placar. Mas mesmo tendo entrado em quadra já classificada, a seleção brasileira voltou a jogar bem e ganhou da França por 3 a 1. Amanhã, em partida que vale vaga na decisão, o Brasil enfrentará uma pedreira: a Rússia. A Itália, atual campeã da Liga, fará a outra semifinal com a Iugoslávia, vencedora da Olimpíada de Sydney.

MUITA GRANA

O contrato de patrocínio do isotônico Marathon com o time de basquete do Franca não será renovado. A parceria com a equipe da terra do companheiro Wagner Teodoro, termina neste sábado, sendo que já durava quatro anos. A decisão faz parte da política de redirecionamento de verba implantada pelo grupo AmBev, que detém a marca Marathon. A medida faz parte do acordo que a empresa firmou com a Confederação Brasileira de Futebol, em maio deste ano. Desde 1997, quando passou a se chamar Franca/Marathon, o time conquistou vários títulos importantes. Naquele ano, foi campeão paulista, brasileiro e pan-americano. Em 1999, foi tricampeão nacional e no ano passado sagrou-se campeão paulista pela última vez. É, enquanto Franca fica sem patrocinador, a CBF ganha uma parceria bilionária. Num espaço de dez anos, a CBF receberia US$ 450 milhões da Nike. Se a CBF rescindiu o contrato fabuloso com a multinacional de artigos esportivos é porque a AmBev dará muito mais.

BRINCADEIRA

Do técnico Luisão, do Noroeste: Vamos ganhar do Flamengo de Guarulhos para encerrarmos nossa campanha com chave de ouro. O Norusca só livrou-se do rebaixamento porque o Taquaritinga não ganhou do Garça.