07 de julho de 2026
Geral

Prefeito e vice ameaçam se processar

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O casamento político entre Nilson Costa e Dudu Ranieri durou pouco. Agora eles querem resolver problemas na Justiça

A cidade precisa de muito trabalho e realizações por parte da Administração. A eleição já passou, mas os problemas ainda são muitos. Alguns até se agravaram, como a infra-estrutura básica. Entretanto, apenas seis meses depois do início da nova gestão, o bauruense acompanha prefeito e vice trocando farpas pela imprensa. Ontem, depois do rompimento entre Dudu Ranieri (PFL) e Nilson Costa (PPS), ambos afirmaram que vão à Justiça para resolver acusações entre si.

A rigor, até agora, nem um nem outro recebeu crítica tão contundente que gerasse mancha à honra. As trocas de farpas estão, na verdade, sendo superlativadas, embora indiquem que podem ter ocorrido problemas em ações no governo. Nilson insinuou que Dudu distribruiu documentos contra sua gestão à oposição. O prefeito também reclamou que Dudu não defendeu a Administração, nem deu conhecimento público a alguns documentos em episódios recentes. Ou seja, se os documentos não são falsos e não trazem fato inverídico, a intenção de processar pode acabar não passando de um jogo de frases. Da mesma forma, um pode até reclamar da postura política do outro, o que, no máximo, mostraria a evidente falta de sintonia entre ambos.

De outro lado, o vice-prefeito afirmou que o prefeito descumpriu um compromisso político com ele, ao demití-lo do DAE, inclusive usando como método a imprensa. Dudu também mencionou que estão em andamento sindicâncias no DAE, com fatos considerados por ele graves, como a possível renúncia de receita. Assim, no fundo, o vice-prefeito não chegou a acusar nominalmente ninguém, se limitando a comentar que o fato estava sendo objeto de apuração.

Enquanto isso, a população vê a Administração Pública iniciando a gestão com uma crise pessoal entre prefeito e vice. A troca de gentilezas e farpas pela imprensa cansou tanto quanto a demora para o reconhecimento público do rompimento, quando já era sabido, desde o início do ano, que este casamento político começou com prazo certo para o divórcio. Para alguns durou até demais. Para outros, nem deveria ter sido efetivado.

Enquanto isso, a parcela da população que escolheu a aliança 100% Bauru, correspondente a cerca de 30% dos votos dos demais candidatos, agora é obrigada a assistir à ameaça de que a dupla vai tirar a limpo as diferenças na Justiça. Assim, trata-se de mais uma briga política, que serve apenas para aumentar a estatística da falta de sintonia e de ausência histórica de afinidade entre prefeitos e vice neste País, problemas que, por aqui, se repetiram com Tidei-Moussa, Izzo-Nilson e, agora, Nilson-Dudu. Aliás, Nilson Costa apenas mudou de lado na história, já que o único benefício que teve na relação com Izzo foi ter ganho dois anos de mandato.