Com o término das duas principais divisões de acesso - Séries A-II e A-III - do futebol paulista, ontem, os dirigentes dos clubes do interior devem iniciar uma guerra nos bastidores nos próximos dias - ou semanas. Com a divulgação do novo calendário do futebol brasileiro, ninguém sabe quais os clubes que disputarão o Torneio Rio-São Paulo, excetuando-se os cinco grandes (São Paulo
Santos, Corinthians, Palmeiras e Portuguesa). E os outros quatro? Quais os critérios que serão adotados? Haverá seletiva? Como seria? E a Série A1 estadual como ficará? Aumentará para 12 ou 16 participantes, além dos 8 que sobrarem? E as outras divisões?
A maioria das indagações acima (ou todas) só terá resposta quando o presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, se manifestar. E ele prometeu isso para o dia 15. Quando anunciar, nem todos vão gostar, por um ou outro motivo. O presidente do Botafogo, de Ribeirão Preto, Ricardo Christiano Ribeiro, por exemplo, tem certeza de que o clube irá disputar o Rio-São Paulo. Temos mérito próprio, por que iria mudar?, questiona ele. Seu clube, afinal, está na elite nacional e é vice-campeão paulista.
O Guarani, que caiu para a A-II, foi anunciado no Rio-São Paulo. Ribeiro, surpreso, nada entendeu. Mas o Guarani não está na elite nacional? A Ponte Preta e o São Caetano podem usar o argumento que terminaram entre os nove primeiros do estadual e também estão no Brasileirão. Mas a possível inclusão do Etti Jundiaí, que sairia da A2 direto para um campeonato rentável e prestigiado, revoltou vários dirigentes dos clubes renegados da A-I, que já protestam.
Um campeonato dos pequenos, sem os grandes, não é interessante. Neste ano, o interior foi beneficiado, com bons jogos e o regulamento (o dos pênaltis) ajudou o Botafogo a chegar à decisão. Mas os clubes da A-II e A-III têm dívidas e, com greves de jogadores, devem agüentar mais dois ou três anos, no máximo, antes que decidam pelo óbvio: que não dá para sustentar os times. Afinal, sem futuro, por que aumentar as dívidas? A A-II, deficitária e bem disputada, era a Segundona e deverá virar uma espécie de Terceirona, e assim sucessivamente. Mas quais times seriam promovidos à A1? Outra deficitária seletiva? Pescar antigas forças, em decadência (Ferroviária, Comercial, XV de Jaú, Marília, Bragantino e Taubaté, por exemplo), de grandes cidades interioranas, ou que tenham bons estádios, seria outra alternativa.
Porém, os que se sustentaram até agora seriam atirados no lixo. A Portuguesa Santista tem um estádio acanhado, com gramado ruim, mas fez campanhas regulares nos dois últimos anos e, por mérito próprio, manteve-se na elite. Bem, pelo menos até o início da semana passada era elite. Agora, ninguém sabe. E salve-se quem puder!