A carta nesta coluna (24/6) sob o título Medicamento genérico, vergonha oficializada, de autoria do médico dr. Áureo Antonio Érnica, pelas críticas contundentes me fez lembrar do capítulo - Educação para responsabilidade -, do livro A Crise Contemporânea da Educação, de Sólon Borges dos Reis, edição do Centro do Professorado Paulista (1978). Mostra o autor que há um plantel de valores permanentes e indeclináveis a serem cultivados prioritariamente. E dentre esses valores, um merece ênfase especial: a responsabilidade. Educando para a responsabilidade, esclarece, estaremos, sem dúvida, atendendo às necessidades básicas, gerais e comunitárias, sociais, morais e cívicas.
A vida coletiva está alicerçada na responsabilidade de todos. E para que a responsabilidade seja de todos, precisa ser de cada um. Porque o mundo se baseia na confiança. Eliminada ou enfraquecida a confiança, a tendência seria o caos. A situação pelo dr. Áureo Érnica sobre os medicamentos genéricos, é como ele próprio afirma: assustadora. Exemplificando, a necessidade baseada na confiança, para a segurança da vida em sociedade, explica o autor Sólon Borges dos Reis. Ao entrarmos numa farmácia e adquirirmos um remédio, vamos movidos pela confiança nos que preparam o medicamento, nos que cuidaram da embalagem, nos que nos estão vendendo aquilo de que precisamos. E nos entregamos a essa confiança. Não discutimos. Não examinamos. Aceitamos, quase sempre mecanicamente, o que nos vendem, porque confiamos. Partimos do princípio de que os farmacêuticos são responsáveis quando nos vendem o medicamento de que precisamos e ao qual confiamos a nossa própria saúde. Como responsáveis, devem ter sido os laboratórios que fabricaram o remédio, o médico que o receitou. Porque qualquer descuido na junção dos ingredientes ou negligência, pode até ser fatal.
Sem confiança, seria impossível, como cada pessoa fazer pessoalmente, a análise de todo e qualquer produto, antes de ingeri-lo... No entanto, afirma o dr. Áureo Érnica em sua carta: Me assusta agora a nova psicose nacional, oficializada e estimulada pelo governo - medicamentos genéricos. É vergonhoso ver o próprio Governo Federal usar a mídia para enganar o povo. Lamentável ver colegas médicos já amadurecidos se prestarem ao serviço de interlocutores do governo, ajudando a enganar a população. As propagandas de genéricos são todas meias verdades com o ônus da informação parcial, omitindo orientações importantes. Socorro! Estamos vivendo o caos. (Rodolpho Pereira Lima)