07 de julho de 2026
Geral

ANGÚSTIA

Michele J.
| Tempo de leitura: 1 min

Hoje me sinto cansado, angustiado e perdido. Cansado, deste modo como vivo, sem perspectiva de crescer na vida. Fazendo faculdade, mas vendo amigos meus em minha frente, pois têm cunhas e padrinhos; estes trabalhando em seu favor e esses amigos fazendo estágios e bons empregos e eu sofrendo para arrumar qualquer emprego por qualquer quantia em troca; angustiado por estar longe de minha família e vendo, aliás sentindo, o que estão passando meus pais, e eu não estar perto para ajudá-los, no sofrimento e no cansativo modo de que estão tendo que se adequar para ganhar a vida e eu não podendo ajudá-los, e, por fim, perdido por não saber que rumo tomar, se volto, se fico; não sei o que faço, não consigo me abrir com quem gosto; aliás, de quem eu gosto? Não sei o que faço e por isso escrevo, também por não ter com quem desabafar. Aliás, eu sei muito bem de quem gosto, só tento fugir para não sofrer nem me magoar mais. Resumindo: preciso tomar outro rumo para minha vida. E reclamam de eu beber minha cerveja: é o único prazer que vejo hoje em minha vida, e estando no bar bebendo, consigo esquecer um pouco do que se passa nesta vilipendiosa cidade que não dá chances a quem não tem padrinhos. Está aqui relatado um pouco de todo o meu cansaço, angústia e perdidez. De um ninguém. Caro editor, esta carta é de um amigo indignado com a falta de oportunidades de conseguir um emprego nesta cidade. Ele veio de Curitiba para fazer Direito em Bauru. Gostaria que a mesma fosse publicada por vosso Jornal. Muitos estudantes vão se identificar com essa história.

Obrigada. (Michele J. ....... )