08 de julho de 2026
Geral

Ed Motta vem com 'Segundas Intenções...'

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos maiores representantes da soul music brasileira na atualidade, Ed Motta mostra em Bauru o seu show mais recente, As Segundas Intenções do Manual Prático...

Quinto disco de carreira de Ed Motta não computando as coletâneas, o CD Ao Vivo, a trilha de Pequeno Dicionário Amoroso e o Remixes e Aperitivos, As Segundas Intenções do Manual Prático... é seu mais completo e ousado trabalho de estúdio. Ele une pop comercial e complexidade harmônica, em canções de elaborados arranjos e execução musical exemplar.

É com base nesse disco que Ed Motta se apresenta em Bauru no próximo sábado, dia 7, na Cervejaria dos Monges.

No álbum, Ed fez as bases com uma banda base fixa e depois percorreu diversos estúdios cariocas atrás do som perfeito para cada um dos complementos, detalhes e solos desse mosaico musical.

O som do grupo de base (Renato Massa Calmon, bateria, Marcelo Mariano, baixo, Glauton Campello, piano Rhodes, e Paulinho Guitarra) se mistura desde os teclados analógicos executados por Fábio Fonseca (com quem Ed não tocava desde o Conexão Japeri), passando pelas lendas Chico Batera, Dom Chacal, Sidinho, o produtor Liminha, o arranjador e pianista Jota Moraes, até novos arranjadores, como Jessé Sadoc Filho e Marcelo Martins e a participação especial do rei dos bailes Ed Lincoln no órgão em Conversa Mole.

O repertório todo de músicas inéditas de Ed foi letrado pelos parceiros Ronaldo Bastos, Chico Amaral, Zélia Duncan, Nelson Motta, Lulu Santos e Doc Comparato e, musicalmente, seu abrangente pop usa de referências que vão do funk ao samba, da bossa nova ao jazz, passando por trilhas sonoras dos anos 50 e 60. Citações e assumidas influências que já estão presentes na estética da capa e encarte, concebida por Ed e a artista gráfica e quadrinhista Edna Lopes.

Funcionando como o abre-alas, a primeira faixa de trabalho do disco, Colombina, é também a segunda colaboração entre Ed e Rita Lee. Essa aliciante marchinha disco-carnavalesca lembra os clássicos que Rita fez no estilo: dançante e bem-humorada.

Temas dançantes como esse e também os sambas-funks Dez mais um amor e Assim, Assim e as discos Mágica de um Charlatão e Pisca-Alerta se misturam a baladas como À Deriva, Jóia de Mágoa e Outono no Rio (esta, sucesso do show com trio de jazz que Ed fez no verão passado, tem o clima de um standard e já nasce com cara de clássico). Fechando o CD, a faixa instrumental A Tijuca em Cinemascope é outra atemporal composição, que parece tirada da trilha sonora de um filme B dos anos 50 e resume a concepção e todas as intenções de Ed Motta.

Serviço

Ed Motta faz show na Cervejaria dos Monges, no próximo sábado, dia 7. Preços não divulgados. Apoio: SAT Engenharia, Saint Paul Residence, 96 FM e Jornal da Cidade. Av. Getúlio Vargas, 7-50. Informações: 234-7773.

O que diz Ed Motta sobre As Segundas Intenções...

Eu quis ter uma banda gravando e ensaiamos por quase três semanas antes de entrar no estúdio e fazer as bases. Procurei a energia de todo mundo tocando junto, algo que a gente encontra em praticamente toda produção anterior aos anos 80, principalmente no jazz, com o baixista, baterista e pianista respirando todos ao mesmo tempo.

É diferente do que hoje acontece na maioria das vezes, quando você grava com uma base eletrônica, e então segue fazendo as coberturas todas separadas. Pra isso contei com Renato Massa Calmon na bateria, Marcelo Mariano no baixo, Glauton Campello, piano Rhodes e Paulinho Guitarra, enfim a banda que realizou a tourneé do Manual Prático para Festas Bailes e Afins Vol. 1.

Os arranjos de As Segundas Intenções do Manual Prático..., exceto o fox-blue Outono no Rio são meus, mas o disco tem muito do feeling de cada músico, assim como um bom ator quando interpreta um texto. Eles foram os grandes atores desse disco.

Esse disco tem um pouco da espontaneidade do primeiro, que era um disco de banda, Conexão Japeri, com a energia do ao vivo e uma busca pela simplicidade. Essa simplicidade tem a ver com o fato de eu estar escutando muito João Donato, o que me fez procurar a espontaneidade que existia nos meus primeiros trabalhos. Fizemos as bases todas no A&R e depois fui percorrendo diversos estúdios do Rio em busca da melhor sonoridade para cada detalhe. Num estúdio usei o piano acústico, em outro o som do órgão Hammond, e ainda procurei um para gravar as cordas, os sopros e metais.