11 de julho de 2026
Geral

Favelas não são exclusividade dos grandes Centros. Em Bauru, os barracos já se espalham praticamente por todas as regiões.

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Nos anos 90, Bauru experimentou um crescimento sem precedentes de favelas, que hoje se espalham praticamente por todas as regiões da cidade. Algumas, por sua estrutura, já quase merecem o status de bairro

Os números da evolução das favelas em Bauru na última década assustam. Levantamentos das secretarias municipais do Bem-Estar Social (Sebes) e Planejamento (Seplan) mostram que, em 1989, eram apenas 467 moradias, não chegando a 600 no início dos anos 90. O crescimento mais significativo segundo os dados oficiais disponibilizados ocorreu entre 1991 e 1992, quando o número de barracos saltou de 548 para 1.031, um aumento superior a 88%.

No ano seguinte, houve um pequeno crescimento, totalizando 1.100 barracos. As estatísticas fornecidas ao JC nos Bairros pulam o ano de 1994, voltando a 1995, quando 1.246 moradias precárias foram contadas na cidade. Naquele ano, a favela do Jaraguá encabeçava a lista com 250 barracos, sendo que a Ferradura Mirim, atualmente a maior de Bauru, começava a despontar já com uma forte propensão a liderar o ranking - eram 100 unidades.

As estatísticas referentes aos anos de 1996, 97, 98 e 99 também não foram fornecidas. Extra-oficialmente, sabe-se que a cidade contava com 1.700 barracos no ano passado, ou seja, 928 a menos do que o total registrado este ano durante a campanha do agasalho.

Na última década, as ações de combate à favelização conseguiram erradicar efetivamente três focos: Parque São João, Jardim Samburá e Vila Garcia. As aproximadas 160 famílias que habitavam esses três pontos conseguiram moradias no Jardim Olímpico ou núcleo Fortunato Rocha Lima. Não se sabe se algumas delas voltaram a morar em barracos, mas os três locais antes ocupados continuam até hoje desabitados.

Outras favelas também quase desapareceram em virtude do projeto de desfavelamento, a exemplo da São Manoel, Jardim Flórida, Jardim Maria Célia, Gérson França e Andorfato. As moradias, entretanto, não foram suficientes para contemplar todos. Na São Manoel, onde em 1995 existiam 194 barracos, hoje se encontram apenas oito famílias faveladas. No Jardim Flórida, os barracos chegaram a desaparecer por completo, mas voltaram a se formar no ano passado. Atualmente, 26 famílias já estão morando no local.

Na Zona Sul, no outro extremo da cidade, mais um foco de favela começa a se formar. Às margens da avenida Comendador José da Silva Martha, cerca de 50 barracos ocupam uma área de brejo legalmente preservada. Ninguém sabe porque foram parar justamente ali, mas o funcionamento de uma casa de sopa, anunciado para breve, pode ser um dos principais atrativos. Os moradores do local se utilizam da água e energia elétrica emprestadas de casas próximas (as mais distantes não conseguem aquecer o chuveiro e nem iluminação superior a 50 volts). Rede de esgoto não há. O que podemos fazer diante de problemas assim? Expulsar essas pessoas à força? A questão é mais embaixo e envolve a participação dos governos, que precisam investir no social antes que cheguemos a uma situação completa de caos, pontuou Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil e cicerone do JC nos Bairros numa visita ao cinturão de pobreza.

Algumas famílias que não participaram do programa ou não atingiram os pontos necessários para a aquisição de casas nos núcleos de desfavelamento foram removidas para áreas provisórias, quando da entrega das primeiras 562 casas, em 1996. Essas famílias foram transferidas para um terreno vizinho à favela do Ferradura Mirim e logo formaram a chamada favela estepe. A execução das casas destinadas a essas pessoas até hoje não aconteceu. São aproximadamente 300 pessoas vivendo precariamente numa área que não dispõe de infra-estrutura básica. Apesar de viverem ao lado da Ferradura, onde já há infra-estrutura e saneamento, essas pessoas não têm nada. Esse campinho de terra revela uma grande diferença. De um lado, você vê uma favela evoluindo para bairro, de outro, uma favela desesperançada aguardando melhorias, expõe Brito.

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