08 de julho de 2026
Geral

Gripes, alergias e infecções em dobro

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 7 min

Crianças, idosos e portadores de doenças crônicas são os mais prejudicados, porque já têm o sistema imunológico debilitado

Uma das principais características do inverno, inegavelmente, é o aumento dos casos de resfriado e gripe. Mas esta também é a época das crises alérgicas e infecções. O ar úmido, aliado aos ambientes fechados, aumenta a concentração de ácaros. E as secreções provenientes destes distúrbios tornam o organismo o ninho ideal para a proliferação das bactérias, que também estão mais agressivas sob temperaturas baixas. Conseqüentemente, surgem as infecções, que podem evoluir para quadros bastante graves.

O frio torna as doenças respiratórias mais intensas, as complicações aumentam, os resfriados se prolongam. Tudo isso deprime o sistema imunológico, abrindo uma porta para as bactérias, explicou o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Felinto dos Santos Neto.

Pediatra, Felinto ressaltou que as crianças, idosos e portadores de doenças crônicas são os mais atingidos. No caso das crianças, o agravante é que, nos primeiros cinco anos de vida, o sistema imunológico delas ainda está em formação e pode não ter condições plenas de se defender dos micróbios. Já os idosos e doentes crônicos têm seu sistema de defesa enfraquecido, o que facilita a manifestação das bactérias.

O médico destaca que os quadros alérgicos também são mais freqüentes no inverno, porque os agentes alérgenos estão suspensos no ar e a umidade aumenta a proliferação do ácaro. Por causa do frio, as pessoas deixam de abrir portas e janelas. A falta de ventilação faz aumentar a concentração de poeira. Paralelamente, a chuva vai deixando estes ambientes fechados mais úmidos, acelerando a reprodução dos germes.

Dicas

É preciso evitar o contato com tudo o que possa causar doenças: fugir das aglomerações e ambientes fechados, onde a concentração de germes é enorme; abrir casas e escritórios para arejar os ambientes; vigiar a umidade de locais fechados e limpá-los com freqüência; manter uma boa alimentação; e agasalhar-se muito bem, orientou Felinto.

Segundo ele, os dias quentes com noites frias são mais prejudiciais que os dias frios, porque quando a temperatura baixa é constante, as pessoas tendem a sair de casa já bem agasalhadas. Mas quando os dias são mais quentes e a temperatura cai ao anoitecer, muitas pessoas são pegas de surpresa e acabam sofrendo choque térmico.

Neste sentido, o médico também recomenda que as pessoas tomem banhos rápidos e troquem de roupa ainda dentro do banheiro, para evitar a exposição às mudanças de temperatura. Sabe-se que o frio não causa doenças, mas debilita o sistema imunológico. Aí, se houver um germe por perto, os riscos de uma infecção são bem maiores. A temperatura não é um fator que impera doenças. Mas é preciso saber que as estações são diferentes e devemos fazer uma adaptação a elas, comentou.

Outra dica interessante do médico é evitar a ingestão de leite antes de dormir, porque o leite aumenta a viscosidade das secreções. Além de atrair as bactérias, isso também faz aumentar os episódios de tosse.

Dentro de casa, o pediatra recomenda mais rigor na limpeza, trocando-se o aspirador de pó pelo pano úmido. Ele adverte que o aspirador de pó só segura as partículas maiores da poeira, deixando as menores suspensas no ar. São exatamente estas partículas menores as grandes responsáveis pelas crises alérgicas.

Em casas onde há pessoas alérgicas, a limpeza é fundamental. Deve-se evitar carpetes, cortinas, bichos de pelúcia, animais domésticos, almofadas, colchas, poltronas, plantas e tudo o que possa acumular poeira e ácaros. Nos quartos, é aconselhável limpar o estrado das camas com pano úmido. E trocar os colchões a cada cinco anos, porque, depois deste período, a concentração de ácaros é perigosa para o alérgico. Na verdade, o ideal é que todas as pessoas adotem esses hábitos, mesmo não sendo alérgicas. Afinal, em toda família há pessoas alérgicas e elas podem vir nos visitar, lembrou.

A quem recorrer

Saber ao certo a quem recorrer quando se está doente é extremamente importante para garantir um bom atendimento, conforme matéria veiculada na edição do último domingo (24/06) pelo JC nos Bairros.

De acordo com Felinto, a maioria das pessoas corre aos prontos-socorros diante de qualquer problema de saúde, o que pode dificultar não só o trabalho dos médicos, como o próprio atendimento ao paciente.

Na verdade, os prontos-socorros só devem ser procurados quando o paciente precisa de atendimento de emergência, ou seja, nos casos em que há risco de morte. São os acidentes, os ataques cardíacos, asfixia, acidentes, fraturas.

Isso não significa que as outras pessoas não precisem de médico. Uma febre acima de 38 graus ou que dura mais de dois dias também precisa ser investigada, só que este paciente pode marcar uma consulta no posto de saúde mais próximo à sua casa. Uma dor incômoda, mas suportável, também pode ser tratada no posto de saúde.

Se a pessoa está se sentindo mal ou vê que a criança está mal, mas percebe que pode esperar para ser atendida, ela deve ir ao posto de saúde. Porque, se ela vem ao pronto-socorro, ela vai ser atendida. Só que ela pode estar tirando o lugar de um pacientes que está tendo um infarto e, sem socorro imediato, vai morrer. A Secretaria de Saúde e os médicos fazem de tudo para melhorar o atendimento, mas a população tem que ser consciente e ajudar. Porque se uma pessoa vem ao pronto-socorro pedir um atestado para justificar a ausência no trabalho (ela pode pedir no posto de saúde), ela vai tomar do médico um tempo que poderia salvar a vida de alguém que está na sala de espera, concluiu Felinto.

Água quente: inimiga de cabelo e pele

De acordo com o dermatologista Wagner José Monteiro Cardoso, os banhos muito quentes são verdadeiros venenos para a pele e os cabelos, pois provocam uma vasoconstrição, ou seja, a circulação sangüínea torna-se mais difícil. Isso, aliado ao vento e ao frio, causa o ressecamento.

Para pessoas que não têm problemas mais sérios, o especialista recomenda que os banhos sejam rápidos e a água não muito quente. Para o corpo, ele sugere o uso de sabonetes neutros - de preferência, os infantis - e de hidratantes. Também deve-se evitar o contato direto da pele com roupas de lã ou lycra, que podem causar alergia.

Para pessoas que ficam com o rosto vermelho nesta época, com o que chamamos eritema, uma boa dica é fazer compressas frias de chá de camomila, que tem efeito calmante e reduz a vermelhidão, disse. Outra dica importante, segundo o médico, é o uso de filtro solar nas áreas expostas da pele, principalmente braços, mãos, pescoço e rosto. Apesar do frio, a radiação solar é constante.

Com os cabelos, os cuidados exigem xampus neutros ou produtos para cabelos oleosos, já que o frio faz aumentar a produção das glândulas sebáceas, que resultam em dermatite seborréica e caspa. Porém, é preciso usar produtos de boa qualidade e confiáveis. Na dúvida, o melhor é procurar um dermatologista.

Alergia

Pessoas chamadas atópicas também sofrem um aumento do anticorpo IGE, que o torna mais suceptível às manifestações alérgicas, inclusive na pele. A dermatite atópica é uma reação freqüente, muito confundida com as micoses, porque causa vermelhidão, coceira intensa e descamação da pele. Manifesta-se, geralmente, nas dobras e no rosto e exige tratamento médico, explicou Cardoso.

Estética

O dermatologista salientou que esta é, também, a melhor época para se fazer procedimentos estéticos no rosto, pois a exposição aos raios solares é menor. O sol pode causar manchas na pele quando são feitos alguns tratamentos contra o fotoenvelhecimento, principalmente no caso dos peelings, em que é promovida uma descamação da pele por meio de ácidos ou outras substâncias.

Mesmo os procedimentos estéticos que são feitos no verão, como o Botox (injeção subcutânea de substância que paralisa os músculos, atenuando as rugas de expressão), quando feitos no inverno, são mais tranqüilos, comentou Cardoso.

Além disso, ele também recomendou os cuidados comuns de se evitar a friagem, não pisar no chão frio ao sair da cama, não beber coisas geladas. Isso faz baixar a resistência e facilita o aparecimento de doenças, concluiu.