No inverno, o tempo de aquecimento para as atividades físicas deve ser maior e as roupas devem estar adequadas à temperatura
Interromper um programa regular de atividades físicas é extremamente prejudicial, segundo os especialistas. E, no inverno, boa parte das pessoas abandona os exercícios por causa da preguiça e do vento frio. O resultado são quilos a mais e redução da massa muscular. O problema é que, quanto maior é o tempo de interrupção, maior será a perda de condicionamento físico. Ao retomar as atividades, será preciso refazer o condicionamento desde o início, lembrando-se que esse efeito sanfona pode debilitar todo o organismo.
De acordo com os coordenadores de academia Júnior Balestero e Rosana Fittipaldi, quando a temperatura cai, o organismo precisa acumular energia para manter-se aquecido e isso dá a sensação de apatia, de preguiça para fazer os exercícios. No entanto, essa mesma necessidade faz com que o organismo passe a acumular mais gordura, que é a camada subcutânea que funciona como isolante térmico. Se não fizer os exercícios, esse acúmulo vai resultar em quilos a mais.
Além disso, o exercício físico estimula a produção de hormônios que dão a sensação de prazer. A suspensão as atividades pode resultar em alteração de humor, destacou Fittipaldi.
Por isso, a recomendação dos especialistas é que, ao invés de se interromper bruscamente os programas de atividade física, seja feita uma moderação na intensidade dos esforços. Isso será condizente com o corpo, que pede por recolhimento, mas será benéfico, também, para a manutenção da saúde.
Questionados sobre a evasão nas academias nesta época do ano, Balestero e Fittipaldi confirmaram que há uma redução considerável. Porém, Balestero ressaltou que o inverno coincide com o período de férias dos universitários. Grande parte destes estudantes vem de outras cidades e, nas férias, eles voltam para casa. Por isso, não há como saber qual o percentual de abandono das academias pelo frio ou pelas férias, comentou.
Prejuízos
O professor de educação física e especialista em Fisiologia do Esforço, José Eduardo Escudero, ressaltou que os efeitos da interrupção aparecem já em uma semana e evoluem com o tempo. Os mais visíveis são o acúmulo de gordura e a perda da massa muscular, mas também há perda de flexibilidade e redução do condicionamento cardiorrespiratório.
Quando uma pessoa começa um programa de atividades físicas, ela leva semanas num processo de adaptação. O corpo tem que ser adaptado aos esforços que lhe serão exigidos. Depois, você vai oferecendo estímulos gradualmente mais intensos e, conforme o organismo responde, aumenta a resistência e o condicionamento. Se ele pára, todo esse trabalho fica perdido. Quando ele voltar às atividades, ele terá que recomeçar a adaptação, observou Escudero.
Segundo ele, boa parte das pessoas comete sérios erros aí, porque interrompe as atividades e, quando retoma, quer aplicar ao corpo o mesmo estímulo que já aplicava antes, ou seja, quer retomar as atividades físicas do ponto em que parou. Como houve uma perda neste período, o indivíduo pode sofrer sérias lesões.
Segundo o professor, o ideal, nesta época, é fazer um trabalho moderado para evitar que o corpo acumule gordura. No verão, ele faz um trabalho de adaptação e intensifica as atividades. O que não pode, segundo ele, é parar o inverno todo e, em agosto ou setembro querer compensar e malhar exageradamente só para recuperar a boa forma.
Se ele faz isso, corre o risco de sofrer um overtraining, que é um excesso de atividades físicas. O resultado disso é contrário ao que ele quer e ele acaba tomando aversão pelos exercícios. A moderação, com aumento gradual dos esforços, é o mais saudável, ressaltou Escudero.
E Balestero completou: As pessoas têm que entender que a atividade física tem que se tornar um hábito. Nós costumamos falar para os alunos que eles têm que começar uma atividade física, no mínimo, para sempre. Porque não adianta ele fazer um trabalho forte num determinado período só para manter a forma e a estética e depois parar. A estética é conseqüência da qualidade de vida e qualidade de vida tem que se tornar um hábito, como tomar banho e escovar os dentes.