A morte de Cirilo Gomes de Moraes, 21 anos, anteontem, com quatro tiros à queima roupa, revoltou os moradores do Jardim Ivone, Zona Leste de Bauru. Ontem, antes do enterro, amigos e familiares prometeram linchar o menor acusado do crime.
Segundo informações dos moradores do bairro, que preferiram não se identificar, o acusado do crime, um menor que não teve seu nome divulgado, trafega pela favela com caminhão carregado de frutas, verduras e guloseimas vencidas para alimentar os porcos de sua chácara.
Entre ele e os moradores do bairro haveria uma rixa antiga. O motivo seria o fato de, supostamente, ele passar pelo bairro com o caminhão carregado em alta velocidade. Ele passa com o caminhão carregado de iogurte e leite vencidos, além de frutas e verduras que os mercados disponibilizam por estarem impróprios para venda. Em alta velocidade, ele coloca em risco a vida de crianças e animais domésticos que estão nas ruas da favela, disse um dos moradores.
Quando algum morador do Jardim Ivone pedia uma fruta ou iorgute, o rapaz responderia de maneira ríspida e, em algumas ocasiões, teria mostrado uma arma. Ele mora numa chácara perto daqui. Não sei porque ele faz isso?, questiona um morador que também não se identificou.
No dia do crime, na versão dos moradores, o adolescente estava passando pela quadra 3 da rua Mauro De Martino quando atropelou um cachorro. Ele passou com o caminhão sobre o cachorro. O Cirilo Moraes (vítima) teria visto o atropelamento do animal e pediu explicações, quando surgiu uma breve discussão entre eles. Nesse momento, o adolescente teria atirado uma caixa de leite podre sobre a vítima e em seguida, fugido. Pouco depois, teria retornado e disparado quatro tiros à queima roupa.
Uma vizinha da vítima garante que Moraes não estava armado e nem chegou a ameaçar o autor do crime. Ele tem medo da gente. Somos pobres, mas não somos bandidos como ele pensa. Ele tem o costume de mostrar a arma até para as crianças que pegam rabeira do caminhão na esperança de pegar um iogurte.
A mulher admite que as crianças tentam pegar alguma coisa que está no caminhão. Eles têm vontade de comer iogurte e muitas vezes pegam rabeira, mas não é preciso mostrar a arma para elas. Nós temos medo que um dia ele mate uma criança atropelada ou com um tiro, disse a mulher.
A sogra de Moraes, Angelina Leite Avelino, frisa que o adolescente deixou o local quando seu genro já estava morto. Os noticiários disseram que ele morreu no caminho para o atendimento médico, mas ele morreu aqui mesmo, afirmou. Na opinião de outra moradora do Jardim Ivone, o autor do crime é um psicopata. Ele e a família dele andam armados. Eles nos ameaçam constantemente e nós não vamos deixar barato. Vamos linchá-lo, prometeu.
Represálias
As manifestações de revolta dos moradores do Jardim Ivone começaram ontem pela manhã, segundo o pai do menor acusado de ser o autor do crime, Ulisses Roberval dos Santos. Ele ressalta que a vítima vinha ameaçando seu filho, que não teria suportado mais as ameaças. Eles tentam assaltar a gente. Nós temos que nos defender, afirmou Santos.
Na versão do pai, a vítima havia prometido matar seu filho. Eles já tentaram entrar na minha chácara. Na semana passada, eles feriram o meu cachorro para entrar na chácara. Eles estão ameaçando meu filho de morte. De acordo com Santos, o crime aconteceu no momento em que a vítima tentou assaltar seu filho. Eles atiraram pedra contra o caminhão e tentaram praticar o crime. Meu filho apanhou e só depois é que disparou os tiros. Eu mesmo acionei a polícia. Ele está cansado de ser ameaçado, disse.
O pai teme pela vida da família. Hoje, eles cortaram o fio de telefone e deixaram a gente sem comunicação com a polícia. Eu acho que eles vão voltar, estão prometendo isso. No mesmo dia da morte, o adolescente foi apresentado à Vara da Infância e Juventude, devendo responder por ato infracional de homicídio.