08 de julho de 2026
Geral

Temporada de tucunarés

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos maiores predadores de água doce do Brasil, dividindo o pódio com o dourado, é o tucunaré. O momento é propício para a sua pescaria, porém há informações importantes que não podem ser esquecidas.

Quem já teve o gostinho de dividir o ringue com o tucunaré, dificilmente não se surpreendeu. A espécie é boa de briga e, além disso, é muito saborosa quando vai à mesa. Sashimi, frito, assado, grelhado, o tucunaré é bem-recebido pelos paladares mais exigentes. Mas é sempre bom ter em mente que o pescador amador não é um predador e deve liberar os peixes capturados em suas aventuras. Porém, é permitido embarcar alguns exemplares para saborear com a família e os amigos. Nada de estocar quilos e quilos de peixe no freezer. Peixe bom é peixe fresco, por isso, evite exageros.

É difícil conter o pescador na hora da pescaria. Mas não impossível. Lembre-se que o tucunaré está se alimentando com maior freqüência no período de junho a agosto por um motivo vital: acasalar em setembro e reproduzir. O tucunaré precisa armazenar gorduras e proteínas e gerar seus descendentes. Portanto, se o pescador tornar-se seu principal predador, nos próximos anos, grandes exemplares não farão parte de sua pescaria de tucunas.

O tucunaré é uma espécie da bacia amazônica que já foi introduzida em rios de todo o País. A facilidade de adaptação do peixe, principalmente com relação à procriação, colaborou bastante com o processo. Diferente das espécies de piracema (a maioria dos peixes brasileiros precisa subir o rio para procriar), o tucunaré desova em água limpa, parada e tem o saudável hábito de proteger a sua cria. Um grande benefício para a espécie. Talvez o fato não fosse tão relevante se todas as barragens possuíssem escadas para os peixes subirem o rio, em época de piracema. O que, infelizmente, não acontece. Muitas espécies estão ameaçadas de extinção e outras ficam limitadas a determinadas áreas. Pisciculturas em várias regiões do País buscam formas de reproduzir em cativeiro diversas espécies, tentando diminuir o impacto ambiental. Porém, o tucunaré é um privilegiado em toda essa história. É uma espécie brasileiríssima, que encanta a todos que a conhecem. Além disso, não é páreo para qualquer pescador. Exige técnica e perseverança. E é exigente: prefere dias claros e iscas em movimento.

Se você pretende pescar tucunas, opte por dias ensolarados, pois nos dias frios, a espécie, como muitas outras, também reduz a sua atividade. Como todo predador, sente atração pelo movimento. É nessas horas que iscas vivas ou artificiais iniciam seu trabalho. É preciso atrair o peixe para que ele ataque. No seu cardápio de naturais, lambari, sauá e ximburé. Porém, é importante o pescador fazer uma leitura da região e avaliar qual a isca mais adequada. Entre as artificiais, normalmente as de meia água e de superfície obtêm melhor resultado. Mais uma vez o pescador vai testar sua capacidade de encantar o peixe e atraí-lo das galhadas e aguapés, seus esconderijos preferidos, para o seu anzol. Aí começa a briga.

Depois de fisgado, o tucunaré mostra-se um grande lutador, com saltos e puxões. É claro que dependendo de onde você estiver pescando, seu troféu pode variar de um a 15 quilos, aí muda a história. Os grandes tucunarés da região amazônica são cobiçados por milhares de pescadores, que ante à dificuldade de viajar, divertem-se com os exemplares de 1,5 quilo nas represas do Estado de São Paulo.

Na região de Bauru, por exemplo, é possível fisgar tucunarés em Bariri, Ibitinga, Arealva, Iacanga e outras regiões próximas. Vale a emoção da pescaria. Se você ainda não enfrentou o tucunaré, o período é muito oportuno. Mas não esqueça de devolvê-los ao rio com condições de sobrevivência. Boa pescaria!