10 de julho de 2026
Geral

Inverno: prevenção evita prejuízos na lavoura

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Nas duas últimas semanas, quando a temperatura ficou abaixo dos 18 graus e uma chuva fina e gelada atingiu a região, a agricultora Valdeci Pagan Lira viu 70% da sua produção de legumes definhar. A notícia, que poderia deixar muita gente de cabelo em pé, não foi um choque tão violento para ela e o marido, Pedro Lira, que já lidam com o setor há mais de 30 anos. A única solução é pedir a Deus para que não mande um inverno tão rigoroso, disse.

Embora o inverno seja uma estação benéfica para a maioria das plantações, há aquelas que se ressentem mais quando o frio chega. É o caso das hortaliças e legumes, que chegam a definhar nos campos com o frio. Quando a temperatura cai bastante, a flor da planta é corroída e não dá frutos. Ou seja, não há o que colher, disse Valdeci.

A principal vilã nessa época do ano é a geada, provocada por temperaturas na casa de zero graus, que acaba congelando o suco celular das plantas, destruindo-a. Para se prevenir desse problema, a oração é o método mais indicado. Quando a geada vem, não há muito o que fazer, disse o engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), regional Bauru, Luís César Demarchi.

De acordo com ele, são difundidas diversas técnicas que poderiam amenizar o problema, se colocadas em prática um dia antes da geada. Mas, ele acredita que, em 97% dos casos, elas não resolvem nada. Muito se fala em nebulização com pó de serra queimada, por exemplo. Mas, eu não vejo eficácia nisso, salientou.

A agricultora Valdeci Pagan Lira concorda com ele. Na última grande geada que teve, há uns sete anos, eu e o meu marido passamos a noite queimando pneu, jogando salitro e não adiantou nada. O que nós pegamos foi uma sinusite, disse.

Recomendações

Há alguns métodos que podem dar um resultado satisfatório, dependendo da cultura. Seiti Sato, por exemplo, que trabalha com o cultivo de verduras, costuma irrigar a plantação um dia antes da geada. Pela nossa prática no campo, percebemos quando vai ocorrer o fenômeno e procuramos nos prevenir, disse. No entanto, ressalta: se a geada for muito forte, não tem jeito mesmo. É prejuízo na certa, disse.

Demarchi diz que alguns cuidados podem amenizar o problema. No caso das hortaliças, ele acredita que investir um pouco de dinheiro em uma estrutura mais completa pode garantir uma certa tranqüilidade. Com a utilização de estufas, por exemplo, o agricultor pode proteger sua produção, salientou.

Os produtores que utilizam material seco, como palha de arroz, de milho, de feijão ou mesmo mato, próximo à plantação também devem se precaver. Demarchi alertou que esse tipo de recurso, utilizado no verão para manter o solo úmido, perde temperatura com muita facilidade e acaba deixando o ambiente mais gelado quando esfria mais. As pessoas dizem que esse material atrai geada. Mas, não é verdade. O que ocorre é que ele atinge uma temperatura menor que o material verde, disse.

A recomendação do agrônomo é para que o agricultor afaste do colo da planta, principalmente das mudas, as palhas e capins secos.

As baixas temperaturas afetam, também, as pastagens. E vale lembrar que a região de Bauru possui extensas áreas destinadas à alimentação bovina. Demarchi destaca que as geadas acabam por inibir o crescimento das gramíneas. Nesse caso, a melhor saída é a prevenção. O produtor tem que buscar outras alternativas, como a silagem, por exemplo. Ou então, ter uma reserva, deixando o pasto sobrar na época da produção, fazendo o que chamamos de feno em pé, disse.

Vendas em queda

As verduras são plantas que têm uma relação muito positiva com o inverno. Elas aprovam baixas temperaturas - desde que não sejam próximas a zero graus - e até costumam produzir cerca de 35% mais no frio. Porém, os agricultores desse setor esbarram em um outro entrave: as vendas. O consumo de verduras cai consideravelmente nesta época do ano, levando os preços junto.

Seiti Sato, agricultor de Bauru que tem clientes nos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, precisou reduzir em 40% sua produção para não ter perdas. As pessoas não têm muito costume de consumir salada, principalmente alface, rúcula, agrião, quando estamos no inverno. Temos que evitar as perdas, produzindo menos, disse.

Boletim Agrometeorológico

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) fornece informações atualizadas aos produtores rurais através da sua página na Internet. No endereço www.iac.br, o agricultor pode consultar a página do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), onde é possível acompanhar, entre outras coisas, a disponibilidade de água e o preparo do solo, aplicação de defensivos agrícolas e comentários técnicos.