09 de julho de 2026
Geral

Aventura e ação na tela dos cinemas

(*) Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 4 min

As estréias desta semana nos cinemas da cidade trazem boas doses de aventura, romance e ação

Falar mal de Tomb Raider é fácil. O filme, que estréia hoje em Bauru (Cine Bauru 1), tem lógica aparente, os personagens são quase sempre unidimensionais e viver uma heroína tirada de um videogame pouco exigiria de uma atriz, mesmo que não fosse uma premiada com Oscar no ano passado.

Mas o filme merece muito mais do que isso. Tomb Raider é uma aventura que deixa o espectador empolgado na maior parte do tempo, tem sua lógica interna que é a da fantasia - exatamente como as de Tarzan ou Indiana Jones - e Angelina Jolie parece ter esperado a vida inteira para ser Lara Croft, a garota veneno dos games de computador.

Para qualquer gamemaníaco, fará sentido a idéia de que um artefato místico-misterioso pode controlar o tempo e está sendo procurado por uma seita antiquíssima chamada de os Iluminati (vagamente maçônico-religiosa). O artefato está numa antiga cidade que há muito tempo se ergueu no que hoje é uma cratera de meteoro e deve ser acionado junto com algo chamado O Olho que Tudo Vê, exatamente no instante em que houver um alinhamento planetário que só ocorre a cada 5 mil anos.

Entenderam? Não importa. Pois o que interessa é ver a heroína Lara Croft sair do virtual e ganhar vida via Angelina Jolie. Ela luta com um robô mortal tão insistente quanto o japonês Kato dos filmes da Pantera Cor de Rosa. Lara tem seu castelo, seu mordomo, seu hacker pessoal e um pai morto e nunca esquecido. Basta como caracterização, ao lado de seus dois revólveres presos nas coxas e habilidade de lutar com armas e artes marciais.

A ação vai por Veneza, lugares gelados e selvagens, enquanto Lara vence todos os obstáculos - de forma absolutamente convincente. Você vai ao cinema e torce por ela. O que mais se quer de uma aventura?

Espionagem

Depois de brincar com os vampiros (em Um Drink no Inferno), o diretor Robert Rodriguez volta-se agora para outra vertente da ação. Escolhe a espionagem e subverte os códigos das aventuras de James Bond & cia. ao fazer com que todo o arsenal de truques dos modernos espiões seja colocado a serviço de... duas crianças.

É a velha história dos pais que contam fantasias aos filhos, as fantasias viram verdade (no cinema) e os filhos têm de salvar os pais, feitos prisioneiros por um vilão que usa seu programa de TV para fazer lavagem cerebral nas crianças de todo o mundo. Esse vilão patético não é o verdadeiro mau da história, mas isso você só descobre ao fim de muitos qüiprocós.

Em Pequenos Espiões, em cartaz na cidade a partir de hoje, no Cine Center 1, Rodriguez quis discutir a família na sociedade atual. Pode não representar muito, mas é seu filme mais simpático.

Pokémon

Você pode ser duro com o terceiro filme da série Pokémon. O desenho é feio, as cores são berrantes e o uso do computador poderia dar ao filme, que estréia hoje no Cine Center 1, um sentido da perspectiva que ele não possui, com aquelas imagens chapadas que datam dos primórdios da animação.

Sim, você pode pensar e até dizer tudo isso, mas talvez seja mais interessante tentar descobrir o porquê do sucesso dessa série. Pois é óbvio que Pokémon possui um encanto todo especial para as platéias de baixinhos.

Não é programa para levar os pais. Eles vão preferir a sofisticação do roteiro de Shrek, talvez experimentem alguma nostalgia de velhas aventuras diante de Atlantis, o Reino Perdido, mesmo que o novo desenho da Disney só deva agradar aos bem colonizados pela empresa de Mickey. Mas a criançada muito provavelmente vai se animar com as novas aventuras de Pikachu e sua turma.

Pikachu é a alma desse desenho desde que Pokémon tomou de assalto a TV japonesa, foi exportado para os EUA e de lá chegou ao Brasil. Da telinha, saltou para a telona, em desenhos feitos no Japão e remontados pelos americanos. O primeiro foi um estouro, o segundo, um pouco menos, mas o suficiente para alentar os produtores a fazerem Pokémon 3.

De novo, os garotos treinam os pokémons e só eles podem salvar o mundo. Há uma menininha que quer ser treinadora na história e nela são embutidos conceitos de paternidade e camaradagem. Tudo meio tosco, mas esse é um filme que tenta falar a língua das crianças, ignorando os adultos. Com a palavra portanto, seu filho(a). É para ele(a) que se dirige Pokémon 3.

Outros filmes que entram em cartaz são Profissão de Risco - um drama com Johnny Depp na pele de um jovem que se envolve com o tráfico de drogas - e Doce Novembro, este com Keanu Reeves e Charlize Theron vivendo um tumultuado romance. (*) Colaborou Agência Estado