08 de julho de 2026
Geral

Meta é comercializar produto orgânico

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 2 min

Por enquanto, produção da horta serve apenas aos acampados, mas coordenação pretende iniciar a venda das verduras

Em sua segunda ocupação da fazenda Santo Antônio em quatro anos, os sem-terra acreditam que sua permanência na área será definitiva. Por essa razão - e por questões de sobrevivência também, os acampados iniciaram o plantio de duas hortas e já prepararam outro terreno para receber sementes de cereais.

Nessas três plantações, os sem-terra prometem realizar o cultivo de alimentos sem agredir a terra, ou seja, sem usar nenhum tipo de defensivo agrícola. Usamos fertilizante natural e fazemos o controle manual de pragas, conta Reginaldo Moreira, coordenador de negociação externa do acampamento do MST na fazenda.

O coordenador da horta é Milton Cezar de Lima, filho de agricultores sem-terra e que aprendeu o ofício com os pais. É preciso prestar muita atenção nas pragas, explica o trabalhador. A ação nociva de animais não é temida. Os passarinhos são nossos amigos, afirma João Vergino dos Santos, um dos coordenadores do acampamento.

Na horta do MST é possível encontrar pés de beterraba, alface, agrião, couve-flor, brócolis, alho, cebola, cenoura, chicória, milho, giló, pimenta cambuci, batata-doce, milho, entre outros, além de acompanhar todo o processo de semeadura e crescimento das verduras e legumes.

Por enquanto, a produção da horta serve aos acampados. A coleta é feita pelo Setor de Almoxarifado, que distribui as verduras e os legumes de acordo com o número de integrantes das famílias. Para não sobrar para uns e faltar para outros, diz Reginaldo Moreira.

Dentro de alguns meses, a coordenação do acampamento pretende iniciar a comercialização dos produtos. Os assentados acreditam que a aceitação de suas verduras e legumes, pelos consumidores da região, será grande. As pessoas estão procurando produtos orgânicos e o nosso é de grande qualidade, garante, orgulhoso, Dílson Peixoto, que também atua na coordenação do acampamento.

Fome

Apesar da produção de hortaliças e legumes, os assentados vivem em situação de fome. Eles estão sem receber cesta básica do governo há seis meses, o que os leva a recorrer a a doações de alimentos feitos por entidades de classe para sobreviver. Não é fácil alimentar mais de 300 pessoas, afirma João dos Santos.

Os interessados em doar alimentos e material de construção, como telhas e madeiras, ao acampamento do MST em Brasília Paulista devem procurar o Sindicato dos Bancários de Bauru, pelo telefone (14) 222-7270 ou na sede da entidade, localizada na rua Marcondes Salgado, 4-44, Centro.