09 de julho de 2026
Geral

Novidades na Seleção Brasileira

Heraldo Garcia Vitta
| Tempo de leitura: 2 min

Ao ver a partida de futebol entre o Brasil e o Uruguai, no domingo, fiquei pensando como um time, com todas as condições, físicas e materiais, tenha atuado de forma tacanha, fraca, ignóbil, ante a lentidão de movimentos e a má vontade dos jogadores, nos principais lances, os quais eram, magistralmente, acentuados pelo detentor da bola - a cada gol que, porventura, um jogador fizesse, todo o País estaria dando-lhe boas-vindas, pelo sucesso alcançado. Seria lembrado como mártir, um herói nacional, de um País de miseráveis.

Esquecemos de um detalhe: o futebol é jogo coletivo, no qual todos os participantes devem procurar a melhor jogada, com o companheiro de equipe; sem isso, por certo, o time estará fadado ao insucesso. Diferente de outros esportes, como o tênis, o futebol depende, e muito, além das jogadas individuais de cada membro da equipe, da harmonia do conjunto, mediante a participação dos jogadores, conforme sua tarefa neste ou naquele setor do campo. Numa palavra: o sucesso, na partida de futebol, não depende apenas de uma pessoa, mas de várias; já que, do conjunto de talentos, chegar-se-á à vitória.

As novidades na seleção brasileira, propagadas aos quatro cantos, pela imprensa livre deste País, como: a mudança do técnico; a nova tática, para as principais jogadas; a vinda de jogadores vitoriosos, no Exterior; não tiveram o efeito que se pretendia. Em que pese o apoio da mídia e do povo brasileiro, faltou o ingrediente necessário para o bolo crescer: a consciência coletiva.

Desculpem-nos a metáfora, os mesmos princípios podemos estender para o cotidiano dos brasileiros. Vez por outra, verificamos nossa insensatez, ou indiferença, perante fatos, sabidamente, imorais e ilegítimos. A nação fica enfraquecida, assim como a equipe de futebol, se não houver mudança rápida, eficaz, em prol da coletividade, para a obtenção da vitória nacional.

A individualidade, própria de nosso povo, impede-nos de agir, prontamente, buscando os caminhos legítimos e democráticos. É uma questão cultural; a nação sem cultura é o mesmo que o veículo sem combustível: nada anda... para frente ou para trás. Às vezes, se empurrado, poderá caminhar de um lado a outro; sem dúvidas, logo parará.

Se as modificações não forem proveitosas; e a individualidade florescer, de maneira irracional e sem qualquer critério técnico; iremos para o mesmo barco de nossa seleção; seremos um povo desprezado e humilhado, embora reconhecido pelo potencial, que não recrudesce, por causa das diversas amarras existentes no tecido social, em decorrência do individualismo exaberbado.

(O autor, Heraldo Garcia Vitta, Juiz Federal em Bauru é Presidente do Instituto Bauruense de Direito Público (Ibadip)