Algumas pessoas fazem tudo para ter objetos de luxo em seus armários, incluindo aí um relógio Rolex, um casaco Armani, uma bolsa Louis Vuitton. São os milionários consumistas que gastam quantias extravagantes inimagináveis para a maioria dos mortais.
Claro que se você tivesse grana no banco na hora de trocar o velho Escort esportivo escolheria um Jaguar de R$ 185 mil para circular. Mas torrar tudo por uma simples bolsinha com logomarca famosa que em questão de um, dois meses, estará fora de moda, já é demais.
Demais para a gente, mas completamente normal para as dondocas que fazem sua farra particular nas lojas de griffes famosas, em bazares beneficentes em que disputam roupas de milhares de dólares para usar só uma vez, fechando os olhos para a miséria que ronda o mundo.
Esse desperdício - segundo nossos conceitos - não é coisa de ficção, não! Depois de Paris, Nova York, Milão e Londres, ou seja, das capitais do mundo, aqui no Brasil, mais precisamente nos Jardins, senhoras muito bem casadas com empresários que ganham em dólar, antenadas com o que se passa lá fora, disputam peças caríssimas como uma bota Chanel por R$ 1.240,00, um relógio Omega com diamantes por R$ 20 mil que pode ser surrupiado na primeira esquina que cruzar ou mesmo uma simples caneta Montblanc gravada com dragão que custa somente R$ 8 mil.
As lojas Armani, Louis Vuitton, Fendi, Christian Dior, Chanel e Daslu (que revende marcas famosas como a Dolce & Gabbana e Prada), estão no auge dos sonhos consumistas de paulistas e cariocas. Há filas à espera do jeans da Dolce & Gabbana todo rasgado, manchado e bordado com broches de cristal que pode custar até R$ 5 mil; de uma caneta de ouro maciço por R$ 83 mil, da bolsa de tachas da Fendi que custa R$ 3.115 e por aí afora.
A procura é tanta que a cada nova estação - obviamente depois dos desfiles das coleções no eixo NY-Paris -, crescem as lojas de griffes famosas em solo tupiniquim.
Bauru na rota
E não pensem vocês que o objeto de desejo é coisa de forasteiros. Aqui mesmo em Bauru há quem procure peças grafitadas que são o hit do momento. O quiosque da Montblanc, no Bauru Shopping, por exemplo, costuma ser muito visitado e, vende sim, caso contário já teria sido desmontado.
Quem pode e quer, não pensa duas vezes, diz a empresária Silvana França (*) . Herdeira de uma grande empresa ela não titubeia quando o assunto é conseguir o fruto de seu desejo. Só viajo duas vezes por ano para o Exterior, trabalho bastante e mereço ser presenteada, mesmo que para muitos não passe de um luxo.
Para ela, o que importa é sua satisfação pessoal. Você nunca ouviu aquela surrada frase o que vale é o gosto?
As irmãs Eliete e Elizete riram quando comparadas com as milionárias do eixo Rio-São Paulo. Na sacolinha supertransada carregavam uma camisa Hugo Boos, para o namorado, um casaco de couro avaliado em quase R$ 1.000 e uma bota em croco, igual ao que Gisele Büdchen desfilou para Jean Paul Gaultier. Igual na aparência, convenhamos, não no preço.
Falso, mas poderoso Como o luxo vende, e bem, surgiram as falsificações por todo canto. Basta dar uma volta pelo Calçadão da Batista para se bater os olhos em gente com o joqueizinho da Ralph Lauren no peito, um short com jacarezinho na barra, um moleton ck em cores vivas.
É o pobre mortal pegando carona na febre de consumo e se esbaldando no camelô da esquina que engana bem...
Ascensão social
O psiquiatra e psicoterapeuta João Maurício Bolzan, que tem clínica em Bauru, explica que o consumo do luxo somente é problema quando é excessivo. A doutora não vai querer ir trabalhar com um chinelo de dedos, um short surrado. É claro que todos temos necessidades e se podemos comprar o fazemos.
A partir de um certo excesso é que a coisa complica e pode estar ligada com o preenchimento de uma lacuna. Uma carência afetiva interna que nada tem a ver com o fato da pessoa ter marido, filhos. A compra para muitos está associada ao prazer de possuir. É uma incorporação que não obedece a lógica.
Geralmente, segundo Bolzan, a pessoa que compra em excesso, tanto em quantidade como em preço, está querendo para si o destaque. Um destaque que às vezes ela não tem na profissão, na vida social, em família, ao contrário do que ocorre com aquele amigo que se tornou um artesão, um médico, um advogado renomado.
O que ele não tem procura exercer através do dinheiro. Para algumas pessoas o destaque está ligado a incorporação de coisas que pode comprar. É uma glória efêmera, já que muitos consumidores volares costumam sempre renovar seus guarda-roupas, descartando o que foi comprado na última estação.
Em contrapartida, explica o médico, há pessoas que são cobradas no meio em que vivem e precisam navegar de acordo com a maré, possuindo também para não fugirem do esquema. Uma superficialidade que acaba fazendo parte do meio.