10 de julho de 2026
Geral

Pastoral Carcerária busca a humanização dos presídios

Redação
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A Pastoral Carcerária é uma entidade que tem por objetivo a humanização dos presos brasileiros a partir da realização de atendimentos individuais e com as famílias dos detentos. A informação é do padre Bernardino Ovelar, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, que esteve em Bauru no último final de semana.

A Pastoral Carcerária foi inaugurada no Brasil em 1994, quando foi estabelecida uma coordenação nacional. O trabalho da entidade é baseado em reflexões sobre as atitudes de Jesus Cristo. Nós tentamos refletir as atitudes de Jesus no mundo do cárcere. Ele não visava somente a parte espiritual, visava a parte humana. Devolvia a vista aos cegos, dava voz a quem não tinha voz. A Pastoral Carcerária quer chegar à vida do cárcere para atingir a pessoa que está presa, porque ela sempre vai ser maior que o delito que cometeu, seja qual for ele, expôs o padre.

Ele acrescenta que uma das principais preocupações da pastoral é a qualidade de vida nas prisões. Partem do princípio de que o preso não é causa de violência, e sim conseqüência da violência social. Sem cair um paternalismo, num comodismo ou num passivismo, numa resignação. Se o preso comete um erro, ele deve pagar por esse erro, deve pagar o que a Justiça estabeleceu para ele, mas não vemos a necessidade de ir muito além do que ele deve pagar. No caso do Brasil, paga ele, paga a família, paga a sociedade. Como o Estado não cumpre o papel dele, quando o preso volta para a sociedade, ela sente-se lesada. Daí a alta criminalidade e a reincidência, observou o coordenador nacional da pastoral.

Por meio de atendimentos individuais com os presos, com suas famílias e do contato com o sistema jurídico e o poder Legislativo, a Pastoral Carcerária tenta viabilizar projetos considerados importantes na luta contra as deficiências do sistema prisional brasileiro. São várias circunstâncias: a falta de pessoal capacitado para esse trabalho; a sistematicidade de policiais militares dentro do sistema prisional; violência dentro das prisões, descaso da Justiça sobre o processo do preso; a violência que se faz com as famílias nas revistas antes de entrar no presídio; transferências; falta de atendimento médico e odontológico etc. É um monte de fatores que vão fazer com que o sistema prisional estoure, salientou o padre Ovelar.

Apesar dos esforços, o padre admite ser um trabalho cujos resultados são obtidos a longo prazo. É um trabalho bem diferente do trabalho dos evangélicos. Eles visam a alma do preso, a salvação. Nós visamos a humanização do sistema prisional. O que nos importa é que ele, como ser humano, está sendo violentado e, certamente, Jesus não teria agido do mesmo jeito que nós estamos agindo neste momento, afirmou.