Além do apagão, os brasileiros foram contemplados com um reajuste tarifário de energia elétrica que, no Estado de São Paulo, foi de 16,61% e teve por base cláusulas contratuais assumidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica, bem como projeção de despesas com distribuidoras na compra de energia de outras concessionárias (inclusive as que compram de Itaipu, cujos custos são influenciados pelo desempenho do dólar) e o pagamento da Conta de Consumo do Combustível, uma forma de compensar os produtores de energia termoelétrica, que é mais cara. Sacramentado o reajuste, nenhum protesto houve dessa apática e incrédula população. Mas nem sempre foi assim. Em novembro de 1931, a Companhia Paulista de Força e Luz impôs às cidades da região Noroeste, um reajuste de tarifa com base na majoração determinada pela diferença cambial. A reação popular foi fulminante e, em alguns casos, violenta, como a provocada pelos moradores de Cafelândia, que derrubaram postes, fios e cortaram a corrente de suas residências, ali ficando somente ligadas a Igreja e a Prefeitura. Ao mesmo tempo, solicitaram o cancelamento de sua ligação e a devolução da caução. O movimento alastrou-se em protestos em Baurú, Pirajuhy, Lins, Presidente Alves e assim por diante. Revelador o Correio da Noroeste de 4 de novembro de 1931: Quando assignaram os actuaes contractos, o dinheiro corria farto e havia serias esperanças na estabilisação. As circumstancias, porem, mudaram, e o povo não pode pagar a exhorbitancia que lhe exigem. Fica o registro e uma preocupação: quase 70 anos após esses protestos, o tema é o mesmo, ou seja, aumento inesperado e desproporcional das citadas tarifas. (Irineu Azevedo Bastos - RG: 7.285.121)