08 de julho de 2026
Geral

Escuta na Câmara transmitia até 200m

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O laudo da perícia apontou que o transmissor era sofisticado e tinha captação audível numa distância de até 5 metros.

O aparelho de escuta clandestina encontrado na Câmara Municipal na sala da presidência é sofisticado, foi utilizado por vários dias, talvez semanas, e podia transmitir os diálogos captados até uma distância de 200 metros mesmo com obstáculo físico, como paredes. A informação está no laudo pericial do Núcleo de Perícias Criminalísticas de Bauru. O laudo confirma a previsão de que o equipamento é utilizado por profissional da área.

O laudo definiu o equipamento como um dispositivo de comunicação pessoal unidirecional sem fio, para transportar sinais e mensagens, contendo elementos básicos chamados transmissores, que por meio de um elemento oscilador que gera ondas de rádio carregam impulsos eletrônicos para áreas remotas. O laudo definiu que o equipamento colocado na sala da presidência da Câmara, atrás de um armário, captava os diálogos e os transmitia. Com isso, havia a necessidade de um outro equipamento receptor para captar os sinais emitidos e decodificá-los, com o propósito de obter com boa qualidade as vozes vindas do transmissor.

O perito Cláudio Luis Franco de Toledo avaliou que o transmissor é de montagem artesanal, já que tinha com ele outras peças, como antena, chip e um conjunto de seis pilhas envoltas em fita isolante. A perícia descreveu que o equipamento tem um oscilador controlado por cristal de quartzo, em circuito de sistema SMD de tecnologia avançada, tendo um microfone de eletreto do tipo lapela e uma antena de emissão de sinal. Com o auxílio de um scanner rastreador de freqüência, a perícia obteve um resultado satisfatório na capacidade de transmissão do equipamento. Isso foi obtido na freqüência de UHF de 598,625 MHz, fora da faixa comercial.

As seis pilhas que acompanhavam o transmissor, de 1,5 volts cada, estavam com carga muito baixa segundo a perícia. Entretanto, a indicação é de que as pilhas tenham funcionado por vários dias junto ao transmissor. Sobre o microfone, o laudo trouxe que em ambiente fechado com acústica ponderada foi possível uma captação audível e inteligível de conversação em uma distância de até cinco metros de raio. O transmissor também tinha uma capacidade de emissão de conversação de até 200 metros em meio à edificações comuns, atingindo até 500 metros se não houver obstáculo, apontou o laudo. Se utilizado como ponte entre o meio transmissor e uma antena repetidora, o equipamento pode alcançar a distância de alguns quilômetros.

Conforme o laudo pericial, o equipamento tem consumo muito baixo de energia e grande autonomia, podendo levar dias e até meses para o completo esgotamento de carga das baterias, além de ser de alta tecnologia e sensibilidade. Já o receptor, que recebia as conversações da sala da presidência da Câmara, tem enorme versatilidade, não precisando permanecer em uma localização fixa para receber o sinal captado, diz a perícia.

A Câmara Municipal abriu sindicância para apurar a escuta clandestina encontrada na sala da presidência. A comissão tem 30 dias para concluir a apuração, com opção de prorrogação por mais 30 dias. Na Polícia Civil, o delegado da DIG-Garra, J.J. Cardia, disse que vai enviar o laudo, depoimentos e demais informações obtidas na investigação até o momento à Delegacia Seccional. Por se tratar de fato localizado em casa política, o inquérito será aberto pela Seccional.