08 de julho de 2026
Geral

Transferência de presos do Cadeião é tranqüila

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A transferência de presos da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, ocorrida ontem, não teve nenhum incidente. No entanto, parentes dos presos se aglomeraram na porta do presídio para se despedir. A visita aos presos foi suspensa em virtude da transferência e das tentativas de fugas ocorridas nos últimos tempos.

Vinte e três presos foram transferidos para Mirandópolis, Pacaembu e Lucélia pela manhã. À tarde, dois presos foram transferidos para as cadeias de Pirajuí e Avaí. Os presos condenados foram para as penitenciárias enquanto que os que aguardam condenações foram para cadeias da sub-região.

Segundo o diretor do Cadeião, Roberto Cabral Medeiros, os presos que foram para Pacaembu e Lucélia estavam na cadeia de Lençóis Paulista. Eles vieram para serem ouvidos e estão retornando, disse. A redução da população carcerária ainda não é a ideal, de acordo com o diretor da cadeia. Vamos ficar com 143 presos. A hiperlotação passou para superlotação. Para alcançar o ideal vamos tentar conseguir novas vagas.

O delegado pretende transferir mais nove presos. Temos seis fugitivos do Instituto Penal Agrícola (IPA) e mais três que estão com sentença decretada. Pretendemos transferir os presos do IPA para o sistema penitenciário, assim como os já condenados, disse. Medeiros explicou que em função das tentativas de fugas e das transferências, ontem os presos não receberam visitas. Ele promete, que se tudo der certo, as visitas deverão retornar na próxima semana.

Reclamação à OAB

A mulher do preso João Marcelo da Silva e irmã do também preso Marcos Rodrigo Trindade, Rita de Cássia Trindade, reclamou ontem da falta de informações sobre os seus parentes. Na última visita eu não vim porque fui visitar minha irmã que está presa em Cabrália Paulista. Depois disso, não tive mais notícias deles, disse.

Ela disse que seu irmão e seu marido não lhe escreveram. Eu mandei recado para eles e até escrevi um bilhete, mas eles não responderam. Estou sem notícias e ouvi dizer que os guardas estão batendo neles. Quero saber como eles estão. É um direito que temos, afirmou.

Rita Trindade prometeu procurar a Comissão de Direitos Humanos da OAB para reclamar da situação. Eu vou à Ordem dos Advogados do Brasil para reclamar. Quero ter notícias deles; não posso ficar aqui fora sem saber o que está acontecendo com eles, reclamou. A mulher tentou reunir parentes de outros presos para reclamar, porém não conseguiu. Muitos temem represálias e preferiram ficar em silêncio.

A avó de um menor apreendido há 10 dias por assalto a ônibus, Benedita dos Santos Menezes, não concordou com a suspensão das visitas. Eles deveriam ter avisado. Na visita passada eu cheguei aqui depois do horário de entrada e não me deixaram ver o meu neto. Hoje, só entreguei roupas e produtos de higiene pessoal para ele, contou.

O diretor da cadeia, Roberto Cabral Medeiros, garantiu ontem que não está havendo cerceamento de correspondência. Os funcionários estão sobrecarregados de serviços em função dos movimentos dos presos. O que pode estar havendo é um atraso, em função disso, explicou.

Segundo ele, não só as visitas foram suspensas, mas também o banho de sol dos presos. Na quarta-feira, os presos não saíram para o banho de sol. Hoje (ontem), só saíram das 13 às 15 horas. Amanhã (hoje), se tudo estiver normal, o horário de banho de sol volta para o período matutino, disse.