A revista feita ontem visou evitar nova tentativa de fuga de presos. A Cadeia Pública de Bauru continua superlotada.
Pedaços de ferro, de serras e de dobradiças foram apreendidos ontem na Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião. A revista feita pela manhã teve como objetivo neutralizar a ação dos presos, que já tentaram fugir cinco vezes neste ano.
Entre o material apreendido está uma barra de ferro que foi arrancada do batente da porta de uma cela. Segundo o diretor da cadeia, o delegado Roberto Cabral Medeiros, com a barra seria possível fazer mais de dez estiletes.
O pedaço de serra, o pedaço de dobradiça e o protetor de cadeados foram encontrados no xadrez número 3. Ocupantes desta cela participaram dos últimos movimentos dos presos.
O diretor da cadeia continua preocupado com a superlotação. Na última quinta-feira, 25 presos foram transferidos, mas na madrugada de ontem a cadeia recebeu 11 novos presos. É uma luta constante. Precisamos de medidas mais resolutivas, disse.
Na opinião do delegado, as medidas que estão sendo tomadas são paliativas. Porque fazemos as remoções e no dia seguinte a cadeia está superlotada de novo. Medeiros lembrou que, além dos 25 presos transferidos na quinta-feira, novas vagas no sistema prisional estão sendo solicitadas. Mais cinco presos deverão ser removidos, sendo quatro para a cadeia de Avaí e um para a penitenciária de Pirajuí. Outros seis fugitivos do IPA deverão retornar ao sistema, disse.
Apuração de denúncias
O promotor da Vara de Execuções Penais, Luiz Carlos Gonçalves Filho, garantiu que as denúncias de maus-tratos feitas pelos presos durante a rebelião na Cadeia Pública de Bauru, na última terça-feira, assim como o movimento dos detentos, estão sendo apurados. A Vara de Execuções Penais está apurando o motim, os danos, a ameaça, o cárcere privado do carcereiro e a possível agressão de policiais durante a revista nas celas, disse.
O promotor ressaltou que se surpreendeu com a atitude da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Bauru, de pedir a apuração das denúncias e da rebelião. Nós estamos cumprindo a nossa obrigação e queremos apurar os fatos ocorridos. Começamos a apurar todos, sem exceção, mesmo antes da comissão formular o pedido, frisou.
O promotor garantiu que haverá imparcialidade. Vamos verificar todos os fatos ocorridos, não só os maus-tratos aos presos, mas também o cárcere privado a que foi submetido o carcereiro, ressaltou.