08 de julho de 2026
Geral

Coletores de lixo decidem acabar com a greve

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Coleta de lixo volta à normalidade hoje; Sinserm afirma que movimento grevista será mantido nos demais setores.

Depois de nove dias de braços cruzados, os lixeiros decidiram, em assembléia realizada no início da noite de ontem, acabar com o movimento grevista. A coleta de lixo volta à normalidade a partir de hoje. Mas, segundo a direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), a paralisação vai continuar nos demais setores da Prefeitura, inclusive na Saúde.

A decisão de pôr fim ao movimento grevista foi tomada pelos lixeiros, depois da audiência de conciliação realizada ontem, em Campinas, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), entre a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e o Sinserm.

A rodada de negociação, que durou cerca de quatro horas, gerou um acordo entre as partes. A sessão no TRT foi presidida pelo juiz Luiz José Dezena da Silva. Participou da audiência o procurador do Ministério Público Federal do Trabalho, Bernardo Leôncio Moura Coelho.

Após as discussões, foi redigido o seguinte acordo, cuja validade estava condicionada ao fim do movimento grevista: estabilidade de um ano para os funcionários da Emdurb, os dias parados não serão descontados dos salários dos servidores, garantia de reuniões quinzenais entre a direção da empresa e o sindicato, reposição de uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs) e aceitação, por parte da companhia, de atestados médicos emitidos pelo SUS apresentados pelos trabalhadores.

Movimento vitorioso

A diretoria do Sindicato dos Servidores considerou o movimento grevista vitorioso. Para o advogado da entidade sindical, Sandro Fernandes, a decretação de estabilidade no emprego por um ano é uma conquista, porque a Emdurb não reconhecia esse benefício.

Mas isso não significa que, após um ano, o sindicato entende que pode mandar trabalhador para a rua. A nossa tese é de que trabalhador de empresa pública tem estabilidade no emprego. Como a Emdurb não reconhecia isso, houve um avanço nessa questão.

Na avaliação de Fernandes, a determinação do TRT de obrigar a empresa a aceitar atestados médicos apresentados por funcionários doentes, emitidos pelo SUS, também é um avanço. Sobre as reuniões quinzenais entre empresa e sindicato, o advogado acredita que agora será possível discutir a pauta de reivindicações dos trabalhadores da Emdurb.

Inclusive, a questão do reajuste salarial e o plano de saúde, além de problemas de perseguição no local do trabalho, falta de segurança, etc. A decisão dos lixeiros de acabar com a greve será comunicada oficialmente hoje, pelo Sinserm, ao TRT de Campinas.

Normalidade

O prefeito Nilson Costa (PPS) acredita que, a partir de hoje, a cidade retomará a normalidade com a volta ao serviço dos coletores de lixo. Segundo ele, não há motivos para os servidores públicos municipais paralisarem suas atividades para protestar contra a Administração.

Nunca me neguei a receber o sindicato para discutirmos, juntos, alternativas que venham a melhorar a vida do servidor, desde que respeitada as condições financeiras da Prefeitura.

O prefeito lembrou que a Câmara Municipal deverá aprovar, na próxima terça-feira, o projeto de lei que vai legalizar o plano de saúde do servidor, extensivo a sua família, através de um desconto de 4% do salário bruto. Se tudo correr bem, no próximo dia 24 a cozinha industrial do Caic retomará a confecção dos marmitex dos servidores.

Sindicatos realizam hoje ato de apoio à greve do servidor

A greve parcial dos servidores públicos municipais vai receber o apoio, hoje, de outras entidades sindicais e classistas. A manifestação pública está marcada para às 10 horas, nas esquinas da rua 13 de Maio com o Calçadão da Batista.

Confirmaram presença no ato os Sindicatos dos Bancários, dos Radialistas, dos Ferroviários e dos Professores do Ensino Oficial no Estado de São Paulo. Além dessas entidades sindicais, a paralisação também ganha o apoio do Movimento dos Sem Terra (MST), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Conselho Diocesano de Leigos e Leigas de Bauru.

Lideranças de dois partidos políticos - o PT e o PSTU - confirmaram presença na manifestação. Os vereadores Antonio Garmes (PSDB) e José Carlos Batata (PT) também vão marcar presença no ato. Os sindicalistas vão recolher assinaturas de populares para um abaixo-assinado de apoio à greve que será encaminhado, posteriormente, ao prefeito Nilson Costa (PPS).

Leia mais: Empresa privada reforça coleta de lixo Motoristas e coletores discordam da paralisação