09 de julho de 2026
Geral

Regras criadas pelos presos são rígidas

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Cada cela tem seu xerife e é ele quem determina as regras. Cumprir as normas da casa pode facilitar a convivência.

Quem nunca foi preso desconhece o ambiente da cadeia. Códigos, gestos, tatuagens e comportamentos têm significados específicos que só os detentos e quem trabalha na área entendem. O escambo (troca de objetos) substitui a moeda, fazendo com que os presos supram suas necessidades.

A troca dentro das penitenciárias e cadeias é um comércio legal. A moeda de troca mais usada nos presídios é o cigarro e cada marca tem um valor. O cigarro brasileiro, no interior das cadeias, vale mais que os do Paraguai. Os presos consideram os cigarros fabricados no Paraguai de qualidade inferior, por isso, trocam dois por um, explica o diretor da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, delegado Roberto Cabral Medeiros.

De acordo com o delegado, os presos mais humildes recebem de seus parentes cigarros do Paraguai, que são mais baratos. Ele fumam, mas quando sentem vontade de fumar um cigarro com mais qualidade, fazem a troca, disse.

Outras mercadorias são trocadas, peça a peça, dentro das prisões. Um creme dental pode valer um sabonete, por exemplo. Uma pedra de sabão vale um barbeador e assim por diante, disse Medeiros.

A lavagem de roupa ou algum serviço prestado na escala de trabalho da cela pode ser feito por um substituto, porém, todo trabalho costuma ser pago, esclarece o diretor da cadeia. Se o preço não quer lavar sua roupa, pode contratar outro preso para o serviço. A lavagem de três peças - uma calça e duas camisetas, por exemplo -, custa um maço de cigarros. Caso a lavadeira não fume, o pagamento poderá ser feito com outra mercadoria, contou Medeiros.

Tatuagens

As tatuagens têm um significado muito especial para os presos. Em alguns casos específicos, elas são feitas na própria prisão pelos companheiros de cela como uma punição para aqueles que não seguem as regras, as normas impostas.

Um preso estuprador, por exemplo, pode ser tatuado com um pênis nas nádegas quando os companheiros de cela não aceitam o crime cometido por ele. O diretor do Cadeião lembra que a maioria das tatuagens é feita nas penitenciária e o presos que já passaram por algumas delas chegam à cadeia tatuados.

Para fazer a tatuagem, os presos usam um instrumento ponteagudo e tinta de caneta esferográfica. Fazem de forma grotesca. Muitas vezes o preso é pego à força para ser submetido à tatuagem, especialmente nos casos de estupro, contou Medeiros.

Mas nem sempre o objetivo das tatuagens é a punição. Alguns presos se submetem a tatuagens para ganhar estatus. Uma caveira com um punhal cravado significa que aquele preso já matou policial, disse. O coração tatuado no peito é sinal de que o preso é um homossexual. Três inscrições, três pontos ou pequenos riscos entre os dedos polegar e indicador significam que o portador é um criminoso. Se o número de pontos subir para cinco, ele é um assaltante, disse.

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