Pesquisador adverte: velhos utensílios de cozinha liberam alumínio e podem causar doença de Alzheimer e mal de Parkinson.
Botucatu - Dizer que a voz do povo é a voz de Deus nem sempre é verdade, ainda mais quando se trata de panelas. É incorreto achar que panela velha é que faz comida boa, principalmente quando a panela é de alumínio, alerta o toxicologista Igor Vassilieff, do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox), unidade auxiliar da Unesp, sediada no Instituto de Biociências, câmpus de Botucatu. Uma panela velha, queimada, com o fundo preto pelo repetido uso, destempera. Passa então a liberar alumínio para o alimento, que, ao ser ingerido, oferece risco de intoxicação.
O excesso de alumínio pode causar encefalite, processo inflamatório que atinge as células nervosas. Segundo Vassilieff, uma conseqüência pode ser a doença de Alzheimer, que se caracteriza pela deterioração intelectual, associada à desorientação temporal e espacial. A pessoa perde a capacidade de realizar raciocínios, explica.
Vassilieff também acredita que exista uma ligação entre o alumínio e o mal de Parkinson, caracterizado por tremores em repouso, rigidez muscular e dificuldade para exercitar movimentos voluntários. Muitos metalúrgicos, ao final de suas vidas, sofrem dessa doença, que se desenvolve pelo contato com metais pesados, como o alumínio.
Cuidado: água potável
O contato com o alumínio não ocorre apenas com panelas destemperadas. Outra forma de absorver esse metal ocorre quando bebemos água potável. Uma das substâncias químicas utilizadas no tratamento de água em todo o País é o sulfato de alumínio, cujo excesso pode levar à contaminação, principalmente de idosos e crianças, que podem até sofrer de retardo mental, diz o toxicologista. Alertado por diversas entidades, o Ministério da Saúde já está começando a orientar outras formas de precipitar a água das nascentes, com filtros, por exemplo.
Ferro
Além do uso de panelas velhas, a tradição popular recomenda também a utilização de pregos de ferro dentro de copos de água ou panelas para evitar anemia. Vassileff esclarece porque essas crendices são perigosas para a saúde. Nem toda a anemia é causada por deficiência de ferro, lembra. Além disso, o ferro liberado por esse prego pode ser excessivo para o organismo e, ao se concentrar no tubo digestivo, irrita as mucosas da região e causa quadros diarréicos.
Vassilieff alerta que não basta tomar cuidado com as panelas, evitando crendices populares. O que vai dentro delas também precisa ser observado atentamente. O maior exemplo é o tomate. Sua casca precisa ser muito bem lavada, pois ela geralmente contém resíduos de agrotóxicos, como o manganês, diz. O excesso desse metal pesado no organismo pode levar a um estado generalizado de fraqueza, conhecido como astenia. Também causa apatia, sonolência, fases de euforia psíquica, tremores das mãos e da língua e até deterioração mental.