08 de julho de 2026
Geral

A VOZ DE JOÃO BATISTA

(*) Frei Lourenço M. Papin
| Tempo de leitura: 3 min

Há 2000 anos, no Sul da antiga Palestina, nascia o precursor do Cristo, filho de Isabel e Zacarias, um casal judeu piedoso e temente a Deus. Quando Isabel estava no sexto mês de gravidez de João Batista, ao anunciar à jovem Maria que ela fora escolhida para mãe do Salvador, o Anjo anuncia-lhe também essa gravidez. E porquê? Maria devia acreditar que conceberia Jesus por obra do Espírito Santo e dizer o seu sim. Para colaborar com ela no pronunciamento desse sim, o Anjo lhe comunica que Isabel, mesmo anciã e estéril, tinha engravidado: queria com isso dizer que a Deus nada é impossível.

O Evangelho nos conta que Maria foi visitar Isabel, seja para confidenciar-lhe o mistério de sua gravidez divina, seja para prestar-lhe sua ajuda. É comovente o encontro das duas Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E com um grande grito, exclamou: Bendita és tu entre as mulheres. Quando a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria em meu ventre. Feliz és tu, Maria, que acreditaste, pois o que te foi dito da parte do Senhor será cumprido! E sob inspiração do Espírito Santo, Maria improvisa um lindo canto que ficou conhecido como o Magnificat, isto é... A minha alma glorifica o Senhor! Maria permaneceu com Isabel até o nascimento de João Batista.

João viveu sua juventude no deserto, talvez entre os monges essênios. Vida de austeridade, de jejum, de oração e meditação da Palavra de Deus. De repente, ele aparece no meio de sua gente: barba e cabelos longos, vestido com pelo de camelo, rins cingidos com um cinturão de couro, rústicas sandálias nos pés e cajado de pastor nas mãos calosas. Cheio de Deus, com muita moral e personalidade religiosa, anuncia que o Messias prometido estava no meio do povo. Sua mensagem pode resumir-se numa palavra: conversão.

João fala com destemor e firmeza para as arrogantes elites religiosas e políticas da época, para os mercadores, os soldados e o povo simples. Sua linguagem é incisiva. Raça de víboras!... O machado está posto à raiz das árvores, toda árvore que não produzir frutos será cortada e lançada ao fogo!... Quem tiver duas túnicas, reparta-a com aquele que não tem, e quem tiver o que comer, faça o mesmo. Aos cobradores de impostos exigirá retidão: Não deveis exigir nada além do que foi prescrito. Aos soldados exortará: A ninguém molesteis com extorsões e não denuncieis falsamente. Ao troculento rei Herodes, tetrarca da Galiléia, que vivia incestuosamente com a mulher de seu irmão Filipe, publicamente advertirá: Não te é permitido tê-la como mulher. Sabemos que essa sua atitude lhe custará a prisão num masmorra no deserto da Judéia, onde será decapitado para satisfazer um pedido vingativo da amante de Herodes.

João ficou conhecido como Batista porque batizava o povo nas águas do Rio Jordão, num gesto que significava purificação e conversão. O próprio Cristo, identificando-se com seu povo, se fez batizar por João, quando ungido pelo Pai deu início à sua missão salvadora (Cf. Mt 14, 1-12, Lc 3, 7-18, Mc 1, 1-11).O evangelista Lucas transfere para João as palavras do profeta Isaias que exclama: esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas (is 40,3).

A voz de João Batista que há 20 séculos ressoou no vale do Jordão, continua atual e vibrante. Estamos num mundo atordoante de vozes: umas verdadeiras, construtivas e formativas, outras mentirosas, deletérias e deformativas. A voz do Batista chega até nós límpida, com pleno valor ético, moral e religioso, questionando o vozeiro do mundo moderno. Bem falou dele o cristo: entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João Batista(Mt 11, 11). (Frei Lourenço M. Papin)